Eu fiquei menstruada aos 12 anos.
Já sabia o que poderia acontecer, por isso, não fiquei muito chocada quando vi o sangue manchar minha calcinha.
Minha mãe já tinha o absorvente em casa e eu fiquei constrangida ao pedir isso pra ela. Lembro também que senti bastante desconforto e uma dor na barriga, a famosa cólica menstrual. Foi a primeira vez na vida que senti a presença irrequieta do útero, aquele órgão que só a mulher tem e por isso nos concede a graça de gerar um filho. Infelizmente eu sempre apresentei disminorréia, nome científico para cólica menstrual. Ao mesmo tempo, quando não queria ir à aula eu já tinha uma desculpa a mais. Uma curiosidade: minha mãe fala "regra", porque antigamente as mulheres nunca falavam essa palavra mesntruação, por se tratar de tabu. Elas não tinham o absorvente e usavam toalhas dobradas. O pior, com certeza, era lavar as toalhas coalhadas de sangue. Pelo menos era ecologicamente correto. Como as fraldas descartáveis para os bebês, imaginem quanta fralda suja o meio ambiente recebe para demorar milhões de anos para desaparecer completamente!
Entre 16 e 17 anos que tomei meus primeiros porres.
A vez mais grave foi no Parque de Exposições de Itabira. Eu apostei com um garoto quem beberia mais copos de cachaça.
Gente, conheci esse menino em Alcobaça, numa férias com a família, nós "ficamos" e ele se apaixonou. Escreveu mil cartas e falou que iria aparecer em Itabira para me ver. Não é que ele apareceu mesmo? Saiu de Vitória no Espírito Santo e apareceu lá em casa. Eu queria dar uma de menina da roça que bebe cachaça e ele queria mostrar pra mim que era homem capixaba que bebe cachaça. Virei um copo, daqueles lagoinha, quase cheio, ele também. O segundo desceu mais difícil, mas ele me acompanhou. O terceiro foi numa talagada e chupei uns limões pra ver se ajudava a descer a pinga. Caraca, eu não me lembro mais de nada. Que loucura! Nem sei o que aconteceu com o garoto de Vitória.
Pelo que me contaram, me pegaram desmaiada no banheiro. Uma amiga minha me acompanhou em todos os momentos, até quando me transportaram numa maca com as calças arriadas no meio de todo público pagante que estava no parque de Exposições. Fui para a ambulância e meu estado era muito grave. Resolveram me levar para o hospital de Itabira. Dizem que só fui acordar depois da segunda injeção de glicose. Ou seja, se não fosse esse atendimento rápido eu poderia ter morrido!
Coitada da minha mãe, chegou lá e pegou a filha já acordada, mas vomitando até as tripas. Meu pai levou uns xingos porque ele bebe também, mas minha mãe nunca bebeu e ficou completamente desolada. Fiquei de castigo, lógico! Depois disso, percebi que tem coisas que a gente só deve beber um copo, cachaça, por exemplo. A gente lev um tempo pra aprender a beber.
Mas, eu continuei dando vexames em festas e carnavais. Já vomitei milhões de vezes. Numa boa? Hoje em dia eu fico até com vergonha só de lembar disso.
Teve um carnaval em Itabira que levei a Dilúvia comigo. Tomamos tanta pinga de coco que até hoje tenho trauma do cheiro. Eu vomitei tanto.... e depois, a Dilúvia tentou me levantar do chão, eu não consegui ficar de pé e caí em cima da poça de vômito! Pelo menos, dessa vez eu não fiquei em coma alcoolico e pude continuar meu carnaval! Cara, isso é loucura! Depois de cair na poça eu deveria ter ido embora tomar um banho! Estou aqui lembrando e me chocando cada vez mais. Depois disso, estávamos andando e quando fomos descer uma rua muito íngreme, é o beco da Igreja da Saúde, a Dilúvia caiu e rolou até embaixo. Ela se esfolou toda, inclusive o rosto! Podia ter morrido! No dia seguinte, ela decidiu ir embora para Belo Horizonte. Acho que foi por causa dos muitos hematomas e ralados e também da vergonha que ficou da minha mãe. Chegamos com roupas rasgadas e imundas! Que nojo!
Tanto coisa terrível poderia ter me acontecido por causa desses porres gigantes! Pegar táxi quase sem sentido é um perigo! Sair andando pelas ruas também! E ainda tem os meninos que tentam se aproveitar da gente quando estamos bem tontas! Meninas, fiquem espertas! Cuidem da sua imagem!