Querida Paula Pimenta,
Eu sinto às vezes que queria ser você, pois seu sucesso
me inspira e estimula.
Começamos juntas em 1994 cursando Publicidade e
Propaganda na PUC de Belo Horizonte. Formei em 1998 com aquela sensação que ia
trabalhar o resto da vida numa agência de propaganda. Eu não fiz intercâmbio,
mas sempre tive vontade. Sempre gostei do “Menudo” e de todos os filmes e
músicas que você recomenda nos seus livros. De vez em quando, ao ler suas
crônicas sinto como se fosse eu. Temos tantas coisas em comum!
Mas, como todos nós somos individuais temos nossas
particularidades.
Isso sim é bem legal! Cada um tem uma história pra contar
e como já dizia o slogan da marca Free de cigarros da década de 90: “Cada um na
sua, mas com alguma coisa em comum.”
Diferente de você eu sou uma menina do interior. Adoro
casa de vó e fui criada no quintal chupando jabuticaba. Sem faculdade na minha
cidade, fui obrigada a vir estudar em Belo Horizonte. Meu mundinho virou
mundão!
Morei sozinha e aprendi com 16 anos a fazer tudo sozinha.
Acordar bem cedo, pegar ônibus para variados lugares, pagar contas em banco,
cozinhar e fazer faxina. Quantas vezes eu chorei baixinho, sozinha em meu
quarto, querendo um colinho de mãe, de pai ou de vó e não tinha nada disso. Pra
piorar a situação não tinha namorado, mas tinha muitas amigas.
Queria ter feito intercâmbio, mas minha mãe achava muito
caro.
Fui fazer Publicidade e Propaganda na PUC e desejei
ardentemente viajar pro exterior. Mas, o destino me pregou uma peça. Depois de
tantos anos sem namorado o cupido veio com sua poderosa
flecha do amor e me prendeu à um homem daqui de Beagá. Pra piorar mais ainda,
um homem com raízes fortes aqui na terrinha, com um ex casamento falido e filhos
pequenos. Ele não desejava como eu morar no exterior e nem podia. Justo no
momento de trabalhar e alçar novos voos, o anjo cupido que tanto chamei em
minhas orações aparece e acorrenta ao coração despedaçado de um homem
divorciado.
Pois é, será que esse meu destino já estava escrito?
Maktub, como os árabes dizem, “já está escrito nas estrelas”.
Sei lá, Deus escreve certo por linhas tortas. Mistérios
do destino. Eu não tinha olhos pra mais nada.
Ganhei uma viagem pra Londres depois da formatura em 1998,
pensei que seria uma ótima oportunidade para não voltar. Que nada! Contei os
dias para ele chegar e me buscar, voltar e amar! Como é bom amar e ser amada!
Resultado: casamento e um filho lindo que já tem quase 9
anos.
Quando assustei uma década se passou. O que eu tenho? Um
currículo que nenhuma agência de propaganda quer e um monte de crônicas
entulhadas na gaveta.
Desde criança sonho em ser escritora, agora me vejo de
novo diante desse sonho.
Nós duas sabemos que nosso destino foi construído por
causa de pequenos detalhes. O que falta em você eu tenho. O que falta em mim
você tem. Será que nunca conseguiremos ser plenamente felizes?
Cada um carrega uma história que é só sua, e isso faz
cada um muito especial e individual.
Outro dia vi esse texto numa propaganda e fiquei
encantada:
“Seu nome carrega uma
história que é só sua. Ninguém pode apagar. Porque só existe um de você. E é
isso que importa no final. Sua história é única!”
Sendo assim fiquei mais
feliz, respirei fundo e pensei comigo: Não quero ser a Paula Pimenta, quero ser
eu mesma. Agora é só arregaçar as mangas e trabalhar duro!
Obrigada por servir de
inspiração para tantas pessoas como eu que nunca desistem dos seus sonhos.