Minhas
lembranças de viagens são ativadas por fotografias. Meus pais gostavam de
fotografar e minha mãe montava álbuns organizados e bem escritos, com legendas
hilárias e criativas. Ela sempre pensou nos três filhos, portanto as fotos eram
divididas em três álbuns e as histórias também mudavam de acordo com o filho.
Ela me ensinou a gostar tanto de fazer diários, álbuns de fotografia e também o
ato de estar sempre filmando e fotografando.
A cada
viagem era um filme de 36 poses e tudo ficava registrado. Ou seja, fica a dica
pra gente não ficar cansando nossos filhos com milhões de fotos diárias e ainda
ficar mandando fazer pose. Quando eu tinha 12 anos, meus pais compraram uma
filmadora VHS Panasonic, a maleta era enorme, e a câmera ficava nos ombros,
depois de um tempo filmando até machucava. Mãe fazia questão de levar três
fitas, uma para cada filho. Assim, filmava um pouco pra cada, e hoje cada um
tem a sua, depois de casados, em sua própria casa, como ela planejou.
Além de um
talento natural para lembrar, tudo isso que meus pais fizeram ajudam e muito a
minha viagem nostálgica às lembranças de como era viajar com os pais e meus
irmãos.
Porto
Seguro, Cabo Frio, Guarapari eram os lugares favoritos da minha família. Quase
sempre viajávamos acompanhados por tios e primos. Meus avós também já foram
conosco para a praia, acho que com companhias assim a diversão fica completa.
Não me
lembro do filtro solar! Ainda bem que o costume da família era acordar cedo e
sair da praia para almoçar. Depois descansar na pousada e à tarde era reservada
a passeios, lanches e compras. Mas, lembro bem da sensação de ardência na pele,
principalmente nas costas e no rosto.
Na
adolescência viajar com os pais virou uma coisa chata, porque eu era a bendita
mulher entre irmãos e primos! Não tinha companhia e naquela época só um livro
pra te salvar de tanta falta do que fazer. Às vezes, meus primos faziam o favor
de jogar um baralho e aí eu até entrava na brincadeira.
Viajar com
os pais é tão importante! São memórias que a gente guarda para sempre. A gente
normalmente começa a relembrar depois de ter seus próprios filhos, e sem
querer, começar a repetir tudo que um dia, seus pais fizeram com você.
O carro
merece um capítulo à parte. Ar condicionado era luxo para poucos e meu sonho
era ter um Opala Comodoro... carro bem chique para a época. Bancos aveludados,
vidros elétricos e escuros e ar condicionado. Viajávamos suados e apertados,
numa Marajó lotada, com toalhas nos vidros para tampar o sol e muitos
travesseiros para ver se a gente dormia e parava de brigar no bando de trás. Três
irmãos juntos por longo tempo e, num curto espaço, tem obrigação moral de
brigar.
A mãe fica
sendo a juíza mediando assuntos, o pai precisa de tranquilidade para dirigir
pela estrada perigosa, o irmão mais velho tem como característica fazer
sacanagem com o irmão mais novo e usá-lo para me chatear. Eu era uma mocinha
que queria muito conquistar meu irmãozinho. Perdi a batalha para o irmão
grandão que o teve sempre a seu lado e o ajudava nos planos mirabolantes. Era
como Sancho Pança e seu fiel escudeiro, Dom Quixote.
Voltando à
cena dentro do carro da família. Tentava dormir, mas não conseguia e seguia com
os olhos flutuantes as nuvens que passavam pelo caminho. Às vezes estava
introspectiva e não falava nada, às vezes estava com a língua solta. Isso é
adolescência, uma montanha russa de sentimentos.
Semanas
antes da viagem de férias, minha mãe começava arrumar as malas e meu pai
arrumava o carro. Sempre tínhamos que acordar de madrugada para pegar estrada
vazia. Levávamos travesseiros para dormir e mãe fazia sanduíches com pão de
forma, presunto e queijo. “As comidas da estrada não são confiáveis.” Dizia
ela. Então, nas paradas pedíamos só refrigerante e usávamos o banheiro.
Viajar sete
dias com a família não é moleza, não! Mas, faz parte do aprendizado. E todo
adolescente deve dar conta de fazer isso, pelo menos uma vez por ano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário