quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Frases memoráveis e colagens!



Eram frases copiadas de outras agendas.

Era como se fosse o compartilhar do facebook, 

mas na época, copiávamos à mão mesmo de 

agenda para agenda. 

Muitas vezes sem nome do autor, como essas:

“A mulher nasce chorando, cresce amando, morre 

sofrendo.

O homem nasce sorrindo, cresce fingindo e morre

 traindo.”


“Beijo é a mistura de línguas dançando rock em 

um festival de cuspe”


“Saudade não tem braço, mas aperta.”


“Você não é chapéu, mas não sai da minha 

cabeça.”


“Eu te amo tanto, que eu queria te abraçar, te

 beijar, rolar com você no abismo dos nossos

 sentidos. Nossos corpos se indo e vindo, se

 explodindo... nossas bocas se pedindo e se

 mordendo. Minha mão na sua mão, meu rosto no

 seu ombro, e assim adormecer. Sentir aquela

 amargura a todo momento de te perder.”


“O sonho só é lindo quando não nos impede de ver

 a realidade.”


“Se num determinado momento não choro, é

 porque minhas lágrimas são pequenas demais

 para o tamanho da dor que sinto.”


As colagens são ilárias:

Gostava muito de me mostrar madura sem ser e de

sexo sem ter e nem conhecer.
















sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A grande fuga para Nova Era



Depois de ser apresentada para meus primos de Nova Era na Feane de 1990 e ter m

e decepcionado com os meninos de Itabira, eu não me contentava com poucas idas por lá.
Minha mãe era muito brava e controladora.
_”Mãe, quero ir pra Nova Era. Posso ficar na casa de Madalena?”
-“Não.” Ela respondia.
- “Por quê?” Eu insistia.
-“Não, porque não!” Ela respondia, pegando a bolsa e dando aquele assunto por encerrado. Ia apressada trabalhar na Caixa Econômica Federal mostrando que tinha coisas mais importantes para fazer.
Fica a dica para os pais: “Não, porque não!” não é resposta. Adolescentes não merecem esse tipo de conversa. São questionadores e sempre vão até o fim com os planos mirabolantes.
Ok. Meus primos Kiko e Bernardo me ligavam quase todos os dias. Como era bom ter dois primos gatinhos! Minhas amigas todas babavam! Eram meus novos amigos. Tínhamos histórias da infância pra contar, bisavós em comum e muitas fotos antigas a partilhar. Em Nova Era costuma ter uma festa tradicional dos Nova Erenses ausentes e ficou conhecida como Feane. Quando estive na Feane com meus pais fui apresentada a eles. Nunca ia imaginar que no meio daquela festa chata de família eu ia descobrir novos primos. O melhor era que eles eram bonitos, legais e cheios de atitude.
Eu tinha acabado de sofrer uma decepção amorosa. Estava “ficando” há dois meses um rapaz de Itabira. Estava apaixonada com ele, mas ele me traiu. Pensei até que fôssemos namorar. Descobri que ele “ficava” comigo e com mais umas três meninas de bairros diferentes. Ele também arrumou uma “ficante” em Nova Era.
Na Feane tive uma ótima oportunidade de me vingar. Ele estava com uma das namoradas, mas eu estava com uns quatro. Rodei abraçada com todos os gatinhos de Nova Era. Passei por ele e dei umas gargalhadas sem sentido, só pra ele notar minha felicidade. Depois disso não o vi mais, deve ter ido embora.
Kiko me apresentou todos os seus amigos. O mais bonito parecia com um ator americano, Timoth Hutton. Infelizmente estava de rubéola. Mesmo assim não resisti, beijamos muito e eu não fiquei contaminada.
Através de uma conversa por telefone decidimos nos encontrar numa fazenda onde ia rolar uma festa. Uáscar tinha um maverick branco e isso o fazia ser muito foda naquela época. Então, segundo nossos planos, ele iria patrocinar minha fuga. Eu iria falar com minha mãe que dormiria na casa de uma melhor amiga careta que ela confiava muito. Bernardo iria nos encontrar na rodoviária de Itabira. No dia marcado uma chuva forte começou a cair e a estrada entre as duas cidades deveria virar um lamaçal perigoso e escorregadio, pois era de terra. Kiko ligou falando que já estava saindo de Nova Era. Minha barriga gelou! Minha mochila estava pronta. Combinamos de encontrar na rodoviária. Meu primo chegou de lencinho na cabeça e cigarro na boca. Naquela época era difícil achar um menino de Nova Era que não fumava cigarro. Maconha nem existia pra gente. Era uma coisa de televisão e eu até achava que a gente cheirava maconha. Então, ficávamos no “loló” e na cerveja.
Lá vamos nós, pela estrada afora. Loucura total, o carro derrapava pelos barrancos e nós três não estávamos nem um pouco preocupados. O carro antes branco ficou marrom e parecia uma sauna de tanta fumaça. Chegando à fazenda encontrei os outros amigos e as primas dos amigos. Elas não eram tão loucas como eu e só ficavam rindo de tudo.
Estávamos felizes fabricando o loló e fazendo churrasco. De repente alguém avisa que Madalena estava chegando com Inácio de carro para me procurar. “Mas, como?” Pensei. Não é possível que minha amiga tinha dado com a língua nos dentes! Tharic conhecia tudo na região da fazenda e se ofereceu para me esconder. Joguei o loló fora para não ter mais provas de crime contra mim e saí correndo pelo mato. Lembro-me de ficar escondida numa fábrica e o novo amigo me acalmando. Muita chuva naquela época, férias de dezembro e eu achando que ia ficar escondida ali até o outro dia. Escutamos o carro ir embora e pronto, viva, podíamos sair do esconderijo. Voltamos para o churrasco e eu fiquei toda feliz por conseguir ludibriar meus parentes. Não é que de repente eles voltam e me pegam no pulão???
Acabou minha festa. Voltei escoltada. Madalena passou a noite conversando comigo. Pelo menos ela tem psicologia e eu até entendi a preocupação que minha mãe deve ter passado. Mas, ela mereceu! Não tinha jeito pra conversar e falava de forma bruta comigo: “Não porque não.” “Eu que pago, eu que mando.”
Merecido foi meu castigo de um mês sem sair de casa. Nem no réveillon no Clube Atlético Itabirano eu pude ir. Passei o ano novo de preto, toda revoltada. Assim começou minha fase “dark”.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O surgimento da insegurança



Depois da mágica festa de 15 anos eu passei por muita coisa. Acho que havia uma disputa entre os meninos pra ver quem “pegava” a mocinha debutante. Isso explica os três candidatos a “ficantes” daquela época, além de tantos outros admiradores. Todo o “bafafá” acerca da festa, das fotos, do clip, da beleza e da família por trás da moça atraem candidatos.
O mais rápido foi o príncipe loiro. Eu já contei a história de amor e tragédia que aconteceu com ele. Portanto, mesmo que eu tenha amado muito esse rapaz, eu tinha uma má lembrança do nosso relacionamento. Ele preferiu acreditar no amigo do fusca branco e acabou terminando comigo num dia de chuva forte. No dia da festa de 15 anos ele correu tanto pra chegar na hora da valsa. Lembro-me que as pessoas chegaram falando pra mim que ele tinha batido o carro, depois pegou carona e na hora da valsa, entrou no vácuo do meu último tio a dançar comigo. No dia seguinte à festa ele estava lá em casa para pegar emprestado a fita de VHS com o meu clip.
O segundo garoto a me abordar na festa foi um gatinho de olhos verdes que dançava lambada muito bem. Na valsa ele vacilou no rebolado. Ele arrasava na lambada, tinha um movimento pélvico que me deixava constrangida e ao mesmo tempo eu gostava daquilo. No meio de todos ele me deu uma espremida na parede e começou a falar coisas no meu ouvido. Queria sair dali, porque meus parentes já estavam de olho, mas ele fazia pressão sobre meu corpo. Que atrevido! A cheirada no cangote me deixou cambaleante, meus olhos se fecharam e eu pensei: é ele!
O terceiro candidato também veio correndo pra dançar valsa comigo, ele foi um dos meus primeiros “ficantes”. Mas, eu não queria figurinha repetida.
Na semana seguinte à festa ele me ligou. O dançarino de lambada de olhos verdes tinha um “chevette hatch” e me chamou para dar uma voltinha. Fiquei com dor de barriga e aquela sensação de “querer ir ao banheiro toda hora”. Sem fome o dia inteiro, esperando o momento que ele passaria para me buscar. Nesse dia, a gente se beijou pela primeira vez. A gente tinha o hábito de procurar um lugar alto na cidade, descer do carro, nos espremer, revirar os olhos e desejar nunca sair daquele beijo que durava minutos seguidos.
Depois disso, ao reler minha agenda de 1990 pude observar como eu era ansiosa. Se o meu “ficante” ficava um dia sem me ligar eu já ficava desesperada. Eu me desesperava, chorava, brigava, fazia um escândalo por qualquer coisa. Que menino que aguenta tanta pressão?  Na agenda tem notas de brigas todos os dias. Rios de lágrimas e amigas consolando. Um drama mexicano a cada dia. Fica a dica para minhas adolescentes, que o ciúmes não vai te levar a lugar nenhum. Não sei se ele se cansou, mas fiquei sabendo que tinha outra namorada no bairro onde morava. Ele também gostava de arrumar namoradas em outras cidades. Por isso, eu decidi terminar tudo.
Meninas, todo esse meu desespero, angústia e ciúmes tinham um nome e eu não sabia. Insegurança.
Mas, para quê? Eu podia ser mais segura, sabendo que estava com 15 anos, linda, magra e vivendo um momento mágico. Nós dois vacilamos. Eu botei muita pressão e ele era muito safado.
Meninas, as coisas que eu vivi transcrevo aqui com objetivo de ajudar vocês.
Quando somos adolescentes temos uma visão distorcida dos fatos. Olhamos no espelho e vemos uma pessoa diferente do que somos. Deve ser os hormônios. Eu era linda e me achava feia. Todas as minhas amigas eram lindas, mas eu era feia. Você se sente assim? Saiba que você está errada. Acredite na sua mãe, ela está sempre certa. Parece que na adolescência surge o hormônio da cegueira e da insegurança.
Voltando à minha história. Eu não queria mais saber de garotos. Já era meu terceiro namoradinho e com final trágico. Poucos meses de relacionamento e uma ruptura enquanto o beijo ainda está bom. Resultado: insegurança. “Estou feia, gorda, chata. Ninguém quer namorar comigo.” Era o que eu pensava. Traição aos 15 anos é como quebrar o espelho da verdade e você passa a enxergar tudo torto, em pedaços.


Chega de namorar! Agora eu só vou estudar. Quero virar “nerd”. Me “joguei” profundamente nos estudos para passar nos testes que me levariam para longe daquele lugar. Meu foco era a capital de Minas. Chega desses meninos idiotas do interior!