Depois da mágica festa de 15 anos eu passei por muita
coisa. Acho que havia uma disputa entre os meninos pra ver quem “pegava” a
mocinha debutante. Isso explica os três candidatos a “ficantes” daquela época,
além de tantos outros admiradores. Todo o “bafafá” acerca da festa, das fotos,
do clip, da beleza e da família por trás da moça atraem candidatos.
O mais rápido foi o príncipe loiro. Eu já contei a história
de amor e tragédia que aconteceu com ele. Portanto, mesmo que eu tenha amado
muito esse rapaz, eu tinha uma má lembrança do nosso relacionamento. Ele
preferiu acreditar no amigo do fusca branco e acabou terminando comigo num dia
de chuva forte. No dia da festa de 15 anos ele correu tanto pra chegar na hora
da valsa. Lembro-me que as pessoas chegaram falando pra mim que ele tinha
batido o carro, depois pegou carona e na hora da valsa, entrou no vácuo do meu
último tio a dançar comigo. No dia seguinte à festa ele estava lá em casa para
pegar emprestado a fita de VHS com o meu clip.
O segundo garoto a me abordar na festa foi um gatinho de
olhos verdes que dançava lambada muito bem. Na valsa ele vacilou no rebolado. Ele
arrasava na lambada, tinha um movimento pélvico que me deixava constrangida e
ao mesmo tempo eu gostava daquilo. No meio de todos ele me deu uma espremida na
parede e começou a falar coisas no meu ouvido. Queria sair dali, porque meus
parentes já estavam de olho, mas ele fazia pressão sobre meu corpo. Que
atrevido! A cheirada no cangote me deixou cambaleante, meus olhos se fecharam e
eu pensei: é ele!
O terceiro candidato também veio correndo pra dançar valsa
comigo, ele foi um dos meus primeiros “ficantes”. Mas, eu não queria figurinha
repetida.
Na semana seguinte à festa ele me ligou. O dançarino de
lambada de olhos verdes tinha um “chevette hatch” e me chamou para dar uma
voltinha. Fiquei com dor de barriga e aquela sensação de “querer ir ao banheiro
toda hora”. Sem fome o dia inteiro, esperando o momento que ele passaria para
me buscar. Nesse dia, a gente se beijou pela primeira vez. A gente tinha o
hábito de procurar um lugar alto na cidade, descer do carro, nos espremer,
revirar os olhos e desejar nunca sair daquele beijo que durava minutos
seguidos.
Depois disso, ao reler minha agenda de 1990 pude observar
como eu era ansiosa. Se o meu “ficante” ficava um dia sem me ligar eu já ficava
desesperada. Eu me desesperava, chorava, brigava, fazia um escândalo por
qualquer coisa. Que menino que aguenta tanta pressão? Na agenda tem notas de brigas todos os dias.
Rios de lágrimas e amigas consolando. Um drama mexicano a cada dia. Fica a dica
para minhas adolescentes, que o ciúmes não vai te levar a lugar nenhum. Não sei
se ele se cansou, mas fiquei sabendo que tinha outra namorada no bairro onde
morava. Ele também gostava de arrumar namoradas em outras cidades. Por isso, eu
decidi terminar tudo.
Meninas, todo esse meu desespero, angústia e ciúmes tinham
um nome e eu não sabia. Insegurança.
Mas, para quê? Eu podia ser mais segura, sabendo que estava
com 15 anos, linda, magra e vivendo um momento mágico. Nós dois vacilamos. Eu
botei muita pressão e ele era muito safado.
Meninas, as coisas que eu vivi transcrevo aqui com objetivo
de ajudar vocês.
Quando somos adolescentes temos uma visão distorcida dos
fatos. Olhamos no espelho e vemos uma pessoa diferente do que somos. Deve ser
os hormônios. Eu era linda e me achava feia. Todas as minhas amigas eram
lindas, mas eu era feia. Você se sente assim? Saiba que você está errada.
Acredite na sua mãe, ela está sempre certa. Parece que na adolescência surge o
hormônio da cegueira e da insegurança.
Voltando à minha história. Eu não queria mais saber de
garotos. Já era meu terceiro namoradinho e com final trágico. Poucos meses de
relacionamento e uma ruptura enquanto o beijo ainda está bom. Resultado: insegurança.
“Estou feia, gorda, chata. Ninguém quer namorar comigo.” Era o que eu pensava.
Traição aos 15 anos é como quebrar o espelho da verdade e você passa a enxergar
tudo torto, em pedaços.
Chega de namorar! Agora eu só vou estudar. Quero virar “nerd”.
Me “joguei” profundamente nos estudos para passar nos testes que me levariam
para longe daquele lugar. Meu foco era a capital de Minas. Chega desses meninos
idiotas do interior!