quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Virgindade





Eu queria muito que minha primeira vez fosse com um menino que eu era apaixonada, mas ele não sabia. Sei lá, eu nem sei o que pensar agora, depois de tanto tempo. Acho que ele sabia sim, pois eu dava muitas dicas. Ele era meu amigo, me dava carinho e atenção. Ele era lindo e todas as minhas amigas eram apaixonadas por ele.

Eu sonhei que no dia do Baile dos Anos Dourados ele iria realizar meus desejos. Eu planejei perder minha virgindade com ele, todas as minhas amigas sabiam do meu plano, menos o meu amigo. Li tudo que vi a respeito nos livros da biblioteca da minha escola, porque naquela época não tinha internet. Marquei uma consulta no ginecologista pela Unimed e fui sozinha, afinal, minha mãe não concordaria com isso. Saí de lá com receita para tomar pílula e fui direto para a farmácia. Todos os meus movimentos foram friamente calculados, nada poderia dar errado.

O meu amigo, sempre tão atencioso, me ligava quase todos os dias contando as novidades e me chamando de Kaká, o jeito que eu mais gostava. Ele, de vez em quando, beijava minha boca, porque no calor da juventude não resistíamos um ao outro. Mas, ele sempre estava namorando, e a gente fazia essas coisas em particular.

O baile dos Anos Dourados foi muito esperado por mim, mandei fazer um vestido preto especial, tomara que caia, comprei calcinha nova e meia calça preta. Fui para a casa do meu amigo e tomamos uma cerveja, tínhamos intimidade pra isso. Fiz unha e escova para o cabelo ficar bem liso, caprichei no batom vermelho e passei lápis preto no olho (era o que eu tinha de maquiagem). Seria lá, na casa dele, porque no Baile ele ia encontrar a namorada...

Hoje eu penso como pude ser tão burra! Perder a virgindade com um menino que já tem namorada? Ele tinha que ser meu namorado! Mas, na minha cabeça de adolescente ele iria se apaixonar por mim depois da noite mágica de amor. Que louca, não é!

Cheguei toda atrevida e nos beijamos, como sempre. Depois de algumas cervejas, tomei coragem e falei no ouvido dele com uma voz bem sensual que queria que ele tirasse minha virgindade. Ele ponderou, afastou meu corpo do dele e parou pra pensar. Eu fiquei meio sem graça, mas ele era muito fofo e me explicou porque não poderia fazer aquilo. Ele não queria me dar esperanças, porque sabia que eu iria me apaixonar. Também disse que era muita responsabilidade pra ele e que isso era uma coisa muito séria! Ele era maduro demais pra dezesseis anos, mas eu me senti mal, rejeitada. Na hora fingi que tinha compreendido e disse que era pra ele esquecer o assunto e podíamos continuar amigos como sempre. Mas, ele nem imaginava quantos meses eu perdi planejando tudo aquilo.

Essa foi uma das histórias de como não perdi minha virgindade. Meu jeito de amar era meio torto, eu achava que amava sempre quem não me queria. E ia me fazendo de fácil pra realizar meus desejos imediatamente. Isso estava muito errado. Primeiramente por causa da falta de diálogo com minha mãe e porque minha imaginação criava tanta coisa mirabolante que só escrevendo mesmo pra ver se gera algum resultado positivo depois de tanto sofrimento.

Dica para as meninas: se valorizem. Não tenham pressa de perder a virgindade, só porque você é uma das últimas a ser virgem.

Hoje em dia eu fico pensando que naquela época eu só tinha minhoca na cabeça!