Eu queria muito que minha primeira vez fosse com um menino que
eu era apaixonada, mas ele não sabia. Sei lá, eu nem sei o que pensar agora,
depois de tanto tempo. Acho que ele sabia sim, pois eu dava muitas dicas. Ele
era meu amigo, me dava carinho e atenção. Ele era lindo e todas as minhas
amigas eram apaixonadas por ele.
Eu sonhei que no dia do Baile dos Anos Dourados ele iria
realizar meus desejos. Eu planejei perder minha virgindade com ele, todas as
minhas amigas sabiam do meu plano, menos o meu amigo. Li tudo que vi a respeito
nos livros da biblioteca da minha escola, porque naquela época não tinha
internet. Marquei uma consulta no ginecologista pela Unimed e fui sozinha,
afinal, minha mãe não concordaria com isso. Saí de lá com receita para tomar
pílula e fui direto para a farmácia. Todos os meus movimentos foram friamente
calculados, nada poderia dar errado.
O meu amigo, sempre tão atencioso, me ligava quase todos os dias
contando as novidades e me chamando de Kaká, o jeito que eu mais gostava. Ele,
de vez em quando, beijava minha boca, porque no calor da juventude não
resistíamos um ao outro. Mas, ele sempre estava namorando, e a gente fazia
essas coisas em particular.
O baile dos Anos Dourados foi muito esperado por mim, mandei
fazer um vestido preto especial, tomara que caia, comprei calcinha nova e meia
calça preta. Fui para a casa do meu amigo e tomamos uma cerveja, tínhamos
intimidade pra isso. Fiz unha e escova para o cabelo ficar bem liso, caprichei
no batom vermelho e passei lápis preto no olho (era o que eu tinha de
maquiagem). Seria lá, na casa dele, porque no Baile ele ia encontrar a
namorada...
Hoje eu penso como pude ser tão burra! Perder a virgindade com
um menino que já tem namorada? Ele tinha que ser meu namorado! Mas, na minha
cabeça de adolescente ele iria se apaixonar por mim depois da noite mágica de
amor. Que louca, não é!
Cheguei toda atrevida e nos beijamos, como sempre. Depois de
algumas cervejas, tomei coragem e falei no ouvido dele com uma voz bem sensual
que queria que ele tirasse minha virgindade. Ele ponderou, afastou meu corpo do
dele e parou pra pensar. Eu fiquei meio sem graça, mas ele era muito fofo e me
explicou porque não poderia fazer aquilo. Ele não queria me dar esperanças,
porque sabia que eu iria me apaixonar. Também disse que era muita
responsabilidade pra ele e que isso era uma coisa muito séria! Ele era maduro
demais pra dezesseis anos, mas eu me senti mal, rejeitada. Na hora fingi que
tinha compreendido e disse que era pra ele esquecer o assunto e podíamos
continuar amigos como sempre. Mas, ele nem imaginava quantos meses eu perdi
planejando tudo aquilo.
Essa foi uma das histórias de como não perdi minha virgindade. Meu
jeito de amar era meio torto, eu achava que amava sempre quem não me queria. E
ia me fazendo de fácil pra realizar meus desejos imediatamente. Isso estava
muito errado. Primeiramente por causa da falta de diálogo com minha mãe e
porque minha imaginação criava tanta coisa mirabolante que só escrevendo mesmo
pra ver se gera algum resultado positivo depois de tanto sofrimento.
Dica para as meninas: se valorizem. Não tenham pressa de perder
a virgindade, só porque você é uma das últimas a ser virgem.
Hoje em dia eu fico pensando que naquela época eu só tinha minhoca na cabeça!


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