Nunca fui
tão popular quanto antes de completar quinze anos.
Minha agenda
de 1990 está cheia de muitos amigos. Todos davam um jeitinho de pegar a agenda
e escrever alguma gracinha. Já comentei em outra crônica do blog “Confissões de
uma ex adolescente2” que as agendas antigas parece o atual “facebook”. Tinham
as curtidas que eram as assinaturas, tinham as frases e pensamentos
compartilhados por muitos, tinham tudo que a gente fez no dia e nossas
aventuras. Os filmes que mais “curtimos”, os livros que mais gostamos, e tudo
aquilo que gostamos de postar na rede virtual, antes colávamos nas agendas.
Antes da
minha festa de 15 anos quem não me conhecia fez questão de ser apresentado
pessoalmente. Lembro bem, minhas amigas chegavam com colegas que eu conhecia de
vista e me apresentavam. Conversa vai, conversa vem, sempre chegávamos ao ponto
de interesse maior: a festa. Eu não sou boba e sabia que tudo era para que eu
os convidasse. E assim, pediam minha agenda, escreviam nome e telefone e me
chamavam para sair. Ah, sim, eu andava pra baixo e pra cima com a agenda. Era o
celular da época, a gente anotava contatos, escrevia coisas, era uma janela
para todos espiarem. Ora deixávamos pistas propositais, ora criávamos códigos
para apenas alguns lerem. Bem parecido com as redes sociais. Ora convidamos a
todos para ver nosso conteúdo ou restringimos para apenas os mais íntimos.
Naquela
época, festa de 15 anos era a melhor coisa do mundo. Eu planejava tudo junto à
minha mãe. Queria que tivesse luzes piscando e música alta como uma boate. As
festas das minhas primas de Belo Horizonte foram maravilhosas. Minha mãe
decidiu pedir emprestado o vestido branco de uma delas, afinal eu só usaria uma
vez. O sapato branco eu comprei e nunca mais usei. Desperdício de dinheiro,
minha mãe reclamava de todos os preços altos, mas estava disposta a fazer a
festança. Eu já tinha um par de luvas brancas de renda, que foi da minha
primeira comunhão.
Meus pais sempre tiveram
filmadora, e minha mãe decidiu fazer ela mesma as filmagens para produzir um
clipe meu. Morri de vergonha, eu ainda era tímida como a maioria das garotas
adolescentes. Eu não queria, mas, fui convencida pelas minhas primas. Elas
prometeram me ajudar e lá fui eu para Belo Horizonte, posar de modelo no Parque
das Mangabeiras. Meu pai era o motorista, minha mãe a videomaker, minhas primas eram
maquiadoras, cabelereiras e figurinistas. Jogava o cabelão para todos os lados
e quase não sorria, porque ainda estava de aparelho fixo nos dentes. Foram
muitos dias de gravação, na capital e na minha cidade, várias locações e várias
trocas de roupa, mas, no final, valeu a pena. Certamente essa foi a grande
inovação da minha festa. Depois de editado, ficou muito bacana, com efeitos
especiais e a trilha sonora com músicas da moda e uma eterna, Don´t stand so close to me, do
grupo inglês, The Police.
Aos 14 anos meu cabelo era
inteiro, pouco antes de fazer 15 uma amiga me disse para eu repicar tudo. Era
um cabelão repicado com franja e uma ponta enorme atrás. Fiquei diferente,
virei uma moça!
Como é boa a preparação
para a festa de 15 anos!
A família, a escola e
amigos, todos comentando e esperando a data chegar. Minha mãe promoveu vários
ensaios para a valsa na minha casa.
Eu tinha que dançar com
meu pai, meu avô, meu padrinho, meus irmãos e meus tios, e são muitos por parte
de pai e de mãe.
Estava fazendo tudo
direitinho, sem questionar, eu queria uma festa tradicional de debutante. A
sociedade mineira exigia muito isso, por isso meus pais não quiseram me mandar
pra Disney.
Ao invés de ir para o
lugar das princesas, resolvi virar a princesa.
Minha festa foi como um
conto de fadas.
Meu convite tinha uma foto
linda e saiu até em coluna social.
Eu era a princesa e tinha
três príncipes disputando minha atenção.
Depois dos rodopios
dançando valsa no salão do clube, as luzes começaram a piscar e a empresa de
som botou pra quebrar. Pedi pra fazerem como as boates da capital, deixar tudo
escuro, e botei os adultos na varanda do clube. A garotada bebeu muita cerveja
e vinho, quase todos vomitaram. Tirando isso, a festa foi um sucesso e
comentada por meses e anos. Bons tempos aqueles. Boas lembranças. Boa festa!
Dessa eu não me arrependo jamais.
Ahhh, como eu queria ter participado dessa festa!
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