quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Preparação para a festa de 15 anos




Nunca fui tão popular quanto antes de completar quinze anos.
Minha agenda de 1990 está cheia de muitos amigos. Todos davam um jeitinho de pegar a agenda e escrever alguma gracinha. Já comentei em outra crônica do blog “Confissões de uma ex adolescente2” que as agendas antigas parece o atual “facebook”. Tinham as curtidas que eram as assinaturas, tinham as frases e pensamentos compartilhados por muitos, tinham tudo que a gente fez no dia e nossas aventuras. Os filmes que mais “curtimos”, os livros que mais gostamos, e tudo aquilo que gostamos de postar na rede virtual, antes colávamos nas agendas.
Antes da minha festa de 15 anos quem não me conhecia fez questão de ser apresentado pessoalmente. Lembro bem, minhas amigas chegavam com colegas que eu conhecia de vista e me apresentavam. Conversa vai, conversa vem, sempre chegávamos ao ponto de interesse maior: a festa. Eu não sou boba e sabia que tudo era para que eu os convidasse. E assim, pediam minha agenda, escreviam nome e telefone e me chamavam para sair. Ah, sim, eu andava pra baixo e pra cima com a agenda. Era o celular da época, a gente anotava contatos, escrevia coisas, era uma janela para todos espiarem. Ora deixávamos pistas propositais, ora criávamos códigos para apenas alguns lerem. Bem parecido com as redes sociais. Ora convidamos a todos para ver nosso conteúdo ou restringimos para apenas os mais íntimos.
Naquela época, festa de 15 anos era a melhor coisa do mundo. Eu planejava tudo junto à minha mãe. Queria que tivesse luzes piscando e música alta como uma boate. As festas das minhas primas de Belo Horizonte foram maravilhosas. Minha mãe decidiu pedir emprestado o vestido branco de uma delas, afinal eu só usaria uma vez. O sapato branco eu comprei e nunca mais usei. Desperdício de dinheiro, minha mãe reclamava de todos os preços altos, mas estava disposta a fazer a festança. Eu já tinha um par de luvas brancas de renda, que foi da minha primeira comunhão.
Meus pais sempre tiveram filmadora, e minha mãe decidiu fazer ela mesma as filmagens para produzir um clipe meu. Morri de vergonha, eu ainda era tímida como a maioria das garotas adolescentes. Eu não queria, mas, fui convencida pelas minhas primas. Elas prometeram me ajudar e lá fui eu para Belo Horizonte, posar de modelo no Parque das Mangabeiras. Meu pai era o motorista, minha mãe a videomaker, minhas primas eram maquiadoras, cabelereiras e figurinistas. Jogava o cabelão para todos os lados e quase não sorria, porque ainda estava de aparelho fixo nos dentes. Foram muitos dias de gravação, na capital e na minha cidade, várias locações e várias trocas de roupa, mas, no final, valeu a pena. Certamente essa foi a grande inovação da minha festa. Depois de editado, ficou muito bacana, com efeitos especiais e a trilha sonora com músicas da moda e uma eterna, Don´t stand so close to me, do grupo inglês, The Police.

Aos 14 anos meu cabelo era inteiro, pouco antes de fazer 15 uma amiga me disse para eu repicar tudo. Era um cabelão repicado com franja e uma ponta enorme atrás. Fiquei diferente, virei uma moça!

Como é boa a preparação para a festa de 15 anos!
A família, a escola e amigos, todos comentando e esperando a data chegar. Minha mãe promoveu vários ensaios para a valsa na minha casa.
Eu tinha que dançar com meu pai, meu avô, meu padrinho, meus irmãos e meus tios, e são muitos por parte de pai e de mãe.
Estava fazendo tudo direitinho, sem questionar, eu queria uma festa tradicional de debutante. A sociedade mineira exigia muito isso, por isso meus pais não quiseram me mandar pra Disney.

Ao invés de ir para o lugar das princesas, resolvi virar a princesa.
Minha festa foi como um conto de fadas.
Meu convite tinha uma foto linda e saiu até em coluna social.
Eu era a princesa e tinha três príncipes disputando minha atenção.

Depois dos rodopios dançando valsa no salão do clube, as luzes começaram a piscar e a empresa de som botou pra quebrar. Pedi pra fazerem como as boates da capital, deixar tudo escuro, e botei os adultos na varanda do clube. A garotada bebeu muita cerveja e vinho, quase todos vomitaram. Tirando isso, a festa foi um sucesso e comentada por meses e anos. Bons tempos aqueles. Boas lembranças. Boa festa! Dessa eu não me arrependo jamais.





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