Videntes,
cartomantes, jogadores de tarô, ciganas, mapa astral etc e tal.
Sinto muito,
mas eu não acredito mais em vocês.
Já teve uma
época que acreditei nos poderes “adivinhatórios” dessa turma, mas nem com muita
boa vontade eles acertaram alguma coisa.
Quando eu
era criança, porém com independência suficiente para ir sozinha até o ballet,
caminhava na avenida mais movimentada da minha cidade e fui abordada por
ciganas. Queriam ler minha mão. “Que leiam.” Pensei. Mas, elas queriam algo em
troca, senão não leriam. “Então, não leiam.” Pensei. Pouco me importando com
aquilo, mas com um pouco de medo daquelas mulheres que chegavam me puxando logo
o braço e depois a mão. Eu era uma pequena mocinha de roupinha cor de rosa e
não tinha dinheiro algum. Mas, as ciganas eram espertas e sabiam muito bem onde
era minha casa. Eu sempre saía pela loja do meu pai, que ficava no andar
debaixo da minha casa. Quando voltei, lá estavam as mulheres e suas crianças de
roupas coloridas, muitos pingentes e miçangas de ouro e mais anéis e pulseiras.
Para o desespero do meu pai, elas carregavam enormes sacolas e se espalharam
numerosamente pela loja. Depois que foram embora meu pai
falou que eram ciganos, um povo nômade que vivia pouco tempo em cada cidade.
Moravam na estrada. Eu fiquei chocada. Até hoje custo a entender pessoas assim,
que vivem sobre rodas, montam tenda por pouco tempo, com toda família, filhos
nascendo em cada cidade pelo Brasil afora. Ele também me disse que os ciganos
adoram ouro. Daí eu entendi porque as mulheres usavam tudo de uma vez, cinco
anéis em cada mão, brincos enormes, muitas pulseiras chacoalhando pelo ar,
colares e até dentes de ouro. Fediam e
os cabelos eram sem pentear. Andavam de pé no chão e as roupas não eram tão
novas! “Pai, se eles não trabalham de onde vem tanto ouro?” Fiquei curiosa.
“Os homens
vivem de trapaças, pequenos golpes e truques. As mulheres tentam ler a mão das
pessoas e ganhar uns trocados. Por isso mudam sempre de cidade, pois estão
sempre fugindo.” Explicou meu pai.
Nunca irei
me esquecer dessas ciganas, no dia seguinte estava elas lá de novo. Passei pela
rua e não dei bola, mas elas são insistentes e agarram minha mão. Difícil uma
criança reagir como hoje eu reagiria, com fúria e indignação. Deixei ela olhar
para a palma da mão e dizer em tom de raiva e desdém que eu viveria pouco.
Parecia que ela queria vingança pelo tratamento que recebeu no dia anterior.
“Vai tomar banho, sua fedorenta.” Pensei. E sai “cantarolante”, mas isso
realmente eu nunca esqueci. Esse foi meu primeiro contato com os ciganos.
Depois, com
dezessete anos e seis meses, sofrendo amargamente a perda de uma amor, deparei
com um folheto na mesma avenida da minha cidade. Estava escrito “Mãe Diná traz
seu amor de volta em sete dias”. Nem lembro o nome da pessoa, peguei um já
famoso por aí emprestado para escrever esse conto. Enfim, na juventude estava
perdida e carente. Precisava de um namorado e só tinha um amor platônico que
alimentei por cinco anos. Estava perdida também porque não sabia o que fazer
para o vestibular e não podia nem sequer pensar em fracassar, pois meus pais
investiram tudo que tinham para me mandar para a capital mineira e conseguir um
bom diploma. Não pensei muito, li o papel, juntei minhas semanadas e marquei
horário com a vidente. Juntei também minhas esperanças e frustações. Tinha a ilusão
que essa mulher poderia resolver minha vida como num passe de mágica.
P.S. Mágicos
não existem. São artistas que usam de truques e trapaças e não fazem milagres
não.
Todas as
pessoas que dizem adivinhar nosso futuro ou fazer trabalho para conseguir as coisas
são ladrões de nosso dinheiro. Acima de tudo são ladrões de esperanças. Durante
algum tempo acalentam nossos corações frágeis e quebrados. Por pouco tempo
fingem carinho e atenção, nos escutando e aconselhando. Até o momento que seu
dinheiro acaba.
Eu acreditei
e fui boba porque tenho o coração aberto e pronto para acreditar nas pessoas.
Também porque era muito carente com mãe trabalhando fora mais de 8 horas por
dia e meu pai não interagia com esses assuntos de amor. Com quem eu poderia
contar?
Como seres
humanos frágeis e bobos podemos cair em armações de outros seres humanos muitos
espertos, malandros e com má intenção. Essas pessoas vivem às custas de nossas
inseguranças e desilusões. São criaturas pequenas que se dizem com “super”
poderes.
Sejamos
sinceros, como eu você já deve ter procurado ajuda dos profissionais da
adivinhação, pensemos:
“-Como eu
estava me sentindo?”
Certamente
perdidos e carentes.
Com
dezessete anos estava tão perdida que a mágoa e o ressentimento me cegaram. Eu
não consegui me lembrar daquela cena de quando eu era uma mocinha bailarina e
tive contato com os ciganos. Naquela época eu vi que esse povo não era de
confiança. Voltei numa cigana e comecei um trabalho para trazer meu amor. Por
meses eu gastei todo meu dinheiro, depois de um tempo, a cigana fugiu da
cidade, deixando uma legião de zumbis, mortos vivos sem esperanças, sem
dinheiro. Vi filas de gente na porta da casa que ela alugou. O inquilino queria
o dinheiro, o açougueiro lamentava o prejuízo, pessoas choravam por ter
empenhado jóias e sonhos. O padeiro, lojas de roupas, enfim, por onde ela
passava deixava um rastro de destruição. Cigana, vidente, cartomante, seja lá o
que ela era, mais parecia o diabo em pessoa. Resultado: destruiu a vida de
pessoas e a minha também.
Uma boa
lição eu tirei: Ninguém sabe nosso futuro. E se tem alguém que pode nos ajudar
esse alguém é nós mesmo.
De onde
viemos? De Deus. Para onde vamos? Você escolhe!
Deus te deu
a opção de escolher. Eu desconfio de todas as pessoas que fingem ser Deus.
Se você está
com problemas tente relaxar e deixar a vida fluir como um rio natural. Deus é a
natureza. Se você pensar sua vida como a natureza, estará seguindo as leis de
Deus.
Não permita
que aquela serpente tire de novo seu paraiso.
Uma serpente
sibilou nos meus ouvidos que eu poderia saber tudo sobre o bem e o mal. Eu
poderia conhecer todos os mistérios da vida, eu podia ser Deus. Eu acreditei e
mordi o fruto proibido da árvore do conhecimento. Depois disso vivi anos de
trevas, tive vergonha de mim mesma, eu arrastei e me escondia por anos a fio.
Minha caverna, meu escuro interior, minha vergonha, minha decepção. Perdi meu
paraíso para sempre. Como pude acreditar que uma mulher poderia saber mais que
Deus, me ajudar mais do que Ele, como pude duvidar Dele?
Hoje em dia
eu saí de minha caverna e enxerguei a verdadeira luz.
Humildade é
a palavra para entender que os mistérios da vida devem continuar misteriosos.
Não mais enfrento Deus com arrogância juvenil, eu O entendo e permito que Ele
me guie calmamente.
Somos parte
da natureza que Ele criou e como um rio, seguirei meu percurso conforme Ele me
fez. Cada pessoa é de um jeito, cada rio tem seu curso.

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