quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Videntes, cartomantes, jogadores de tarô, ciganas, mapa astral etc e tal.


Videntes, cartomantes, jogadores de tarô, ciganas, mapa astral etc e tal.

Sinto muito, mas eu não acredito mais em vocês.
Já teve uma época que acreditei nos poderes “adivinhatórios” dessa turma, mas nem com muita boa vontade eles acertaram alguma coisa.
Quando eu era criança, porém com independência suficiente para ir sozinha até o ballet, caminhava na avenida mais movimentada da minha cidade e fui abordada por ciganas. Queriam ler minha mão. “Que leiam.” Pensei. Mas, elas queriam algo em troca, senão não leriam. “Então, não leiam.” Pensei. Pouco me importando com aquilo, mas com um pouco de medo daquelas mulheres que chegavam me puxando logo o braço e depois a mão. Eu era uma pequena mocinha de roupinha cor de rosa e não tinha dinheiro algum. Mas, as ciganas eram espertas e sabiam muito bem onde era minha casa. Eu sempre saía pela loja do meu pai, que ficava no andar debaixo da minha casa. Quando voltei, lá estavam as mulheres e suas crianças de roupas coloridas, muitos pingentes e miçangas de ouro e mais anéis e pulseiras. Para o desespero do meu pai, elas carregavam enormes sacolas e se espalharam numerosamente pela loja. Depois que foram embora meu pai falou que eram ciganos, um povo nômade que vivia pouco tempo em cada cidade. Moravam na estrada. Eu fiquei chocada. Até hoje custo a entender pessoas assim, que vivem sobre rodas, montam tenda por pouco tempo, com toda família, filhos nascendo em cada cidade pelo Brasil afora. Ele também me disse que os ciganos adoram ouro. Daí eu entendi porque as mulheres usavam tudo de uma vez, cinco anéis em cada mão, brincos enormes, muitas pulseiras chacoalhando pelo ar, colares e até dentes de ouro. Fediam e os cabelos eram sem pentear. Andavam de pé no chão e as roupas não eram tão novas! “Pai, se eles não trabalham de onde vem tanto ouro?” Fiquei curiosa.
“Os homens vivem de trapaças, pequenos golpes e truques. As mulheres tentam ler a mão das pessoas e ganhar uns trocados. Por isso mudam sempre de cidade, pois estão sempre fugindo.” Explicou meu pai.
Nunca irei me esquecer dessas ciganas, no dia seguinte estava elas lá de novo. Passei pela rua e não dei bola, mas elas são insistentes e agarram minha mão. Difícil uma criança reagir como hoje eu reagiria, com fúria e indignação. Deixei ela olhar para a palma da mão e dizer em tom de raiva e desdém que eu viveria pouco. Parecia que ela queria vingança pelo tratamento que recebeu no dia anterior. “Vai tomar banho, sua fedorenta.” Pensei. E sai “cantarolante”, mas isso realmente eu nunca esqueci. Esse foi meu primeiro contato com os ciganos.

Depois, com dezessete anos e seis meses, sofrendo amargamente a perda de uma amor, deparei com um folheto na mesma avenida da minha cidade. Estava escrito “Mãe Diná traz seu amor de volta em sete dias”. Nem lembro o nome da pessoa, peguei um já famoso por aí emprestado para escrever esse conto. Enfim, na juventude estava perdida e carente. Precisava de um namorado e só tinha um amor platônico que alimentei por cinco anos. Estava perdida também porque não sabia o que fazer para o vestibular e não podia nem sequer pensar em fracassar, pois meus pais investiram tudo que tinham para me mandar para a capital mineira e conseguir um bom diploma. Não pensei muito, li o papel, juntei minhas semanadas e marquei horário com a vidente. Juntei também minhas esperanças e frustações. Tinha a ilusão que essa mulher poderia resolver minha vida como num passe de mágica.
P.S. Mágicos não existem. São artistas que usam de truques e trapaças e não fazem milagres não.
Todas as pessoas que dizem adivinhar nosso futuro ou fazer trabalho para conseguir as coisas são ladrões de nosso dinheiro. Acima de tudo são ladrões de esperanças. Durante algum tempo acalentam nossos corações frágeis e quebrados. Por pouco tempo fingem carinho e atenção, nos escutando e aconselhando. Até o momento que seu dinheiro acaba.
Eu acreditei e fui boba porque tenho o coração aberto e pronto para acreditar nas pessoas. Também porque era muito carente com mãe trabalhando fora mais de 8 horas por dia e meu pai não interagia com esses assuntos de amor. Com quem eu poderia contar?
Como seres humanos frágeis e bobos podemos cair em armações de outros seres humanos muitos espertos, malandros e com má intenção. Essas pessoas vivem às custas de nossas inseguranças e desilusões. São criaturas pequenas que se dizem com “super” poderes.
Sejamos sinceros, como eu você já deve ter procurado ajuda dos profissionais da adivinhação, pensemos:
“-Como eu estava me sentindo?”
Certamente perdidos e carentes.
Com dezessete anos estava tão perdida que a mágoa e o ressentimento me cegaram. Eu não consegui me lembrar daquela cena de quando eu era uma mocinha bailarina e tive contato com os ciganos. Naquela época eu vi que esse povo não era de confiança. Voltei numa cigana e comecei um trabalho para trazer meu amor. Por meses eu gastei todo meu dinheiro, depois de um tempo, a cigana fugiu da cidade, deixando uma legião de zumbis, mortos vivos sem esperanças, sem dinheiro. Vi filas de gente na porta da casa que ela alugou. O inquilino queria o dinheiro, o açougueiro lamentava o prejuízo, pessoas choravam por ter empenhado jóias e sonhos. O padeiro, lojas de roupas, enfim, por onde ela passava deixava um rastro de destruição. Cigana, vidente, cartomante, seja lá o que ela era, mais parecia o diabo em pessoa. Resultado: destruiu a vida de pessoas e a minha também.

Uma boa lição eu tirei: Ninguém sabe nosso futuro. E se tem alguém que pode nos ajudar esse alguém é nós mesmo.
De onde viemos? De Deus. Para onde vamos? Você escolhe!
Deus te deu a opção de escolher. Eu desconfio de todas as pessoas que fingem ser Deus.
Se você está com problemas tente relaxar e deixar a vida fluir como um rio natural. Deus é a natureza. Se você pensar sua vida como a natureza, estará seguindo as leis de Deus.
Não permita que aquela serpente tire de novo seu paraiso.
Uma serpente sibilou nos meus ouvidos que eu poderia saber tudo sobre o bem e o mal. Eu poderia conhecer todos os mistérios da vida, eu podia ser Deus. Eu acreditei e mordi o fruto proibido da árvore do conhecimento. Depois disso vivi anos de trevas, tive vergonha de mim mesma, eu arrastei e me escondia por anos a fio. Minha caverna, meu escuro interior, minha vergonha, minha decepção. Perdi meu paraíso para sempre. Como pude acreditar que uma mulher poderia saber mais que Deus, me ajudar mais do que Ele, como pude duvidar Dele?
Hoje em dia eu saí de minha caverna e enxerguei a verdadeira luz.
Humildade é a palavra para entender que os mistérios da vida devem continuar misteriosos. Não mais enfrento Deus com arrogância juvenil, eu O entendo e permito que Ele me guie calmamente.
Somos parte da natureza que Ele criou e como um rio, seguirei meu percurso conforme Ele me fez. Cada pessoa é de um jeito, cada rio tem seu curso.


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