sexta-feira, 25 de julho de 2014

Montanha russa de emoções



No início dos anos 90 a gente não tinha internet, celular e nem internet com celular. A gente não tinha TV a cabo e nem mil opções de canais, não tinha computador e muito menos joguinho em aparelhos eletrônicos.
Uma das coisas que mais fazia, além de brincar com minhas amigas, era escrever cartas e agenda. A agenda era um ritual que envolvia colagem, códigos e muito "scrap book". Através dessas cartas e das agendas percebo que com 14 anos eu tinha uma autoestima até boa para a idade.
Significado de Autoestima
s.f. Característica de uma pessoa que valoriza a si mesma, dando-lhe a possibilidade de agir, pensar e exprimir opiniões de maneira confiante.
Saía muito, tinha muitos amigos, tinha uma vida social bacana.
E, nas minhas cartas e agendas eu não fico reclamando da aparência.
Antes dos 15 anos teve uma preparação para minha festa. Produzimos um book e um clip com imagens que minha mãe filmou. Todos amaram. Diziam que eu parecia com uma atriz da Rede Globo. Eu tinha três admiradores e na hora da valsa foi uma briga para ver quem dançava comigo primeiro.
Depois dos 15 anos e 6 meses houve uma mudança radical na minha vida.
Eu fui morar em Belo Horizonte, fiquei sozinha num apartamento, tendo que fazer minha própria comida. Pensem comigo, adolescente fazendo comida? O quê vocês acham que eu comia? Só porcaria. Claro que minha mãe até tentava nos ajudar, mas vindo uma vez por semana, a comida saudável acabava logo e sobrava vontade de comer os salgadinhos, os biscoitos recheados, muito hambúrguer, pizza congelada, refrigerantes.
Além disso, tinha muita ansiedade envolvida, a necessidade de cuidar da própria vida sozinha e a solidão que batia tantas vezes na porta do meu coração. Resultado: engordei muito. E aí, após os 16 anos eu só reclamava do meu corpo e da minha aparência nas agendas. Ainda bem que tenho fotos que comprovam que eu não era a monstra que pintava.
Eu era linda e nem sabia! Tudo por causa de uma pequena depressão que iniciou dentro de mim. É verdade! Sair da casa dos pais aos 15 anos para morar na capital, estudar, pagar contas, comprar livros, pegar ônibus para diferentes lugares sem conhecer nada daquela tal cidade grande, isso tudo foi muito forte pra mim. E acima de tudo, a pressão geral pra passar no vestibular. “Pense em sua mãe e seu pai, que estão fazendo sacrifícios para você estudar aqui.” Diziam todos da minha família.
Meninas, a rapadura é doce, mas não é mole não.
Morar em Belo Horizonte sem os pais pode ser o sonho de muita gente, mas assumir as responsabilidades é o mais importante.
Ás vezes parece que não vamos dar conta.
Todas as fases são necessárias para que possamos crescer.
Vaidade demais atrapalha.
Estudo demais atrapalha.
Diversão demais atrapalha.
Temos que equilibrar tudo isso.
Quando fui para Beagá eu só estudava, pouco me divertia, não tinha família por perto, ninguém para cuidar de mim e acabei entrando numa fossa. A adolescência é assim: cheia de altos e baixos. Tem horas que você se sente o máximo de linda e depois o máximo de feia. “Ninguém me ama, ninguém me quer” eu escrevia por todas as páginas das agendas de 1991 e 1992. “Sou uma baleia!” Começava dietas todas ‘as segundas feiras, fazia simpatias para emagrecer e arrumar namorado. Mas, a ansiedade e a baixa autoestima não permitiam ter confiança em mim. Na terça eu já comia um chocolate para aliviar a pressão. Se é que vocês me entendem.
Conclusão: durante dois anos eu não consegui mudar tanto, mas na minha cabeça eu mudei sim.
Então, meninas, coloquem uma coisa na cabecinha de vocês:
Não confiem cegamente em seus sentimentos.
Eles nos enganam.
Acredite que a vida é uma montanha russa, que depois de toda descida radical tem uma subida emocionante.
E quando você estiver pra baixo tente se lembrar de como era quando você estava pra cima, se sentindo linda, confiante e com três gatinhos querendo dançar valsa com você.
Bola pra frente que atrás vem gente.
Beijinhos carinhosos





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