segunda-feira, 21 de julho de 2014

1990




1990


Para vocês, meus jovens leitores, aviso que a década de 90 é muito diferente dos dias de hoje. Vou citar exemplos:
Pra começar não tínhamos celular, computadores ou internet. Vocês devem estar pensando o que nós fazíamos? Juro que até eu parei pra pensar. Mas, ufa, encontrei várias coisas legais que eu e minhas amigas costumávamos fazer.
Eu não tenho irmãs e meus pais trabalhavam muito. Eu tenho dois irmãos que nunca fizeram muita questão de me compreender. Talvez eles me achassem muito diferente, afinal eu era mulher! Então, para não morrer de solidão eu tinha muitas amigas. E nós encontrávamos todos os dias. Sempre depois das aulas.
Meu avô ou meu pai me levava de carro na casa de uma delas, ou elas vinham para minha casa. A última coisa que fazíamos era estudar. A gente brincava. Sim! Meninas de 14 anos brincando de gravar um programa na Rádio. Lá em casa tinha um microfone, eu gravava a voz e depois colocava os discos de vinil na hora da música. Por isso duas pessoas era fundamental.
Vocês estão lendo isso? Eu colocava os discos de vinil no som do meu pai. Não era CD e muito menos mp3. Queria muito ter essas fitas gravadas. Fitas cassetes! Nossas criações eram fantásticas! A minha colega fingia ser a ouvinte e eu a locutora da rádio. Depois trocávamos de cargo para ficar mais emocionante. Cada coisa que inventávamos era motivo para muitas gargalhadas.
Eu tinha uma turma que era “show”! A gente amava um desenho onde as garotas cantavam e dançavam. Então, as cinco amigas juntas podiam ensaiar o show da Jem! Uau! Fala sério! E tinha até figurino. Fiz tranças azuis com as cordas que achei na loja do meu pai. Cada uma de um jeito. Dançando para emagrecer e depois engordar de novo comendo um “super” brigadeiro. E, por final, dos encontros com as amigas, estudávamos correndo porque a noite já tinha chegado e era hora de ir pra casa, jantar e dormir. Sem celular e sem internet, apenas uma novelinha básica.
O grupo de trabalho era de amigas inteligentes. Por isso, sempre ganhávamos pontos nas apresentações. Eu pedia para minha mãe filmar, às vezes eu mesma filmava. Sem querer eu já demonstrava traços de quem um dia iria trabalhar com os meios de comunicação. Agora mesmo estou passando o maior aperto procurando essas fitas VHS onde eram gravadas as imagens. Afinal, não existia o computador para guardar as imagens e nem celular para filmar. Então eu tinha uma máquina fotográfica com filme e uma filmadora com uma “fitona” enorme lá dentro que gravava os vídeos. A gente assistia no vídeo cassete, que era bem parecido com o aparelho de DVD. A “fitinha” cassete era para gravar as músicas e a gente ouvia em casa e também no carro.
Genteee, foram muitas mudanças, estou chocada comigo mesma. Antes de começar a escrever eu mesma não tinha noção de quantas transformações sofremos da década de 90 para cá. Depois de 25 anos a gente olha para o passado e acha que está muito longe. O importante é que as amizades continuam sempre verdadeiras.
Lá em casa tinha o telefone fixo para toda família. Então, quando eu e minhas amigas não podíamos encontrar, a gente ficava “pendurada” no telefone. O termo continua igual, mas a diferença é que eu monopolizava o telefone e ninguém mais conseguia ligar para minha casa. Já cheguei a ficar 2 horas no telefone com minhas amigas. Pelo menos nesse quesito era bom que minha mãe trabalhasse o dia inteiro. Assim, eu podia ficar mais à vontade à tarde toda na minha casa.
A década de 90 era muito diferente mesmo, a gente ouvia lambada e dançava juntinho. Pode parecer estranho, mas tinha tanta coisa boa que eu poderia ficar escrevendo, escrevendo, escrevendo...


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