No início
dos anos 90 a gente não tinha internet, celular e nem internet com celular. A
gente não tinha TV a cabo e nem mil opções de canais, não tinha computador e
muito menos joguinho em aparelhos eletrônicos.
Uma
das coisas que mais fazia, além de brincar com minhas amigas, era escrever
cartas e agenda. A agenda era um ritual que envolvia colagem, códigos e muito "scrap book". Através dessas cartas e das agendas percebo que com 14 anos eu tinha uma autoestima até boa para a idade.
Significado de
Autoestima
s.f. Característica de uma pessoa que
valoriza a si mesma, dando-lhe a possibilidade de agir, pensar e exprimir
opiniões de maneira confiante.
Saía muito,
tinha muitos amigos, tinha uma vida social bacana.
E, nas
minhas cartas e agendas eu não fico reclamando da aparência.
Antes dos 15
anos teve uma preparação para minha festa. Produzimos um book e um clip com
imagens que minha mãe filmou. Todos amaram. Diziam que eu parecia com uma atriz
da Rede Globo. Eu tinha três admiradores e na hora da valsa foi uma briga para
ver quem dançava comigo primeiro.
Depois dos
15 anos e 6 meses houve uma mudança radical na minha vida.
Eu fui morar
em Belo Horizonte, fiquei sozinha num apartamento, tendo que fazer minha
própria comida. Pensem comigo, adolescente fazendo comida? O quê vocês acham
que eu comia? Só porcaria. Claro que minha mãe até tentava nos ajudar, mas
vindo uma vez por semana, a comida saudável acabava logo e sobrava vontade de
comer os salgadinhos, os biscoitos recheados, muito hambúrguer, pizza
congelada, refrigerantes.
Além disso,
tinha muita ansiedade envolvida, a necessidade de cuidar da própria vida
sozinha e a solidão que batia tantas vezes na porta do meu coração. Resultado:
engordei muito. E aí, após os 16 anos eu só reclamava do meu corpo e da minha
aparência nas agendas. Ainda bem que tenho fotos que comprovam que eu não era a
monstra que pintava.
Eu era linda
e nem sabia! Tudo por causa de uma pequena depressão que iniciou dentro de mim.
É verdade! Sair da casa dos pais aos 15 anos para morar na capital, estudar,
pagar contas, comprar livros, pegar ônibus para diferentes lugares sem conhecer
nada daquela tal cidade grande, isso tudo foi muito forte pra mim. E acima de
tudo, a pressão geral pra passar no vestibular. “Pense em sua mãe e seu pai,
que estão fazendo sacrifícios para você estudar aqui.” Diziam todos da minha
família.
Meninas, a
rapadura é doce, mas não é mole não.
Morar em
Belo Horizonte sem os pais pode ser o sonho de muita gente, mas assumir as
responsabilidades é o mais importante.
Ás vezes
parece que não vamos dar conta.
Todas as
fases são necessárias para que possamos crescer.
Vaidade demais
atrapalha.
Estudo
demais atrapalha.
Diversão
demais atrapalha.
Temos que equilibrar
tudo isso.
Quando fui
para Beagá eu só estudava, pouco me divertia, não tinha família por perto,
ninguém para cuidar de mim e acabei entrando numa fossa. A adolescência é
assim: cheia de altos e baixos. Tem horas que você se sente o máximo de linda e
depois o máximo de feia. “Ninguém me ama, ninguém me quer” eu escrevia por
todas as páginas das agendas de 1991 e 1992. “Sou uma baleia!” Começava dietas
todas ‘as segundas feiras, fazia simpatias para emagrecer e arrumar namorado.
Mas, a ansiedade e a baixa autoestima não permitiam ter confiança em mim. Na
terça eu já comia um chocolate para aliviar a pressão. Se é que vocês me
entendem.
Conclusão:
durante dois anos eu não consegui mudar tanto, mas na minha cabeça eu mudei
sim.
Então,
meninas, coloquem uma coisa na cabecinha de vocês:
Não confiem
cegamente em seus sentimentos.
Eles nos
enganam.
Acredite que
a vida é uma montanha russa, que depois de toda descida radical tem uma subida
emocionante.
E quando
você estiver pra baixo tente se lembrar de como era quando você estava pra
cima, se sentindo linda, confiante e com três gatinhos querendo dançar valsa
com você.
Bola pra
frente que atrás vem gente.
Beijinhos
carinhosos



