quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Frases memoráveis e colagens!



Eram frases copiadas de outras agendas.

Era como se fosse o compartilhar do facebook, 

mas na época, copiávamos à mão mesmo de 

agenda para agenda. 

Muitas vezes sem nome do autor, como essas:

“A mulher nasce chorando, cresce amando, morre 

sofrendo.

O homem nasce sorrindo, cresce fingindo e morre

 traindo.”


“Beijo é a mistura de línguas dançando rock em 

um festival de cuspe”


“Saudade não tem braço, mas aperta.”


“Você não é chapéu, mas não sai da minha 

cabeça.”


“Eu te amo tanto, que eu queria te abraçar, te

 beijar, rolar com você no abismo dos nossos

 sentidos. Nossos corpos se indo e vindo, se

 explodindo... nossas bocas se pedindo e se

 mordendo. Minha mão na sua mão, meu rosto no

 seu ombro, e assim adormecer. Sentir aquela

 amargura a todo momento de te perder.”


“O sonho só é lindo quando não nos impede de ver

 a realidade.”


“Se num determinado momento não choro, é

 porque minhas lágrimas são pequenas demais

 para o tamanho da dor que sinto.”


As colagens são ilárias:

Gostava muito de me mostrar madura sem ser e de

sexo sem ter e nem conhecer.
















sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A grande fuga para Nova Era



Depois de ser apresentada para meus primos de Nova Era na Feane de 1990 e ter m

e decepcionado com os meninos de Itabira, eu não me contentava com poucas idas por lá.
Minha mãe era muito brava e controladora.
_”Mãe, quero ir pra Nova Era. Posso ficar na casa de Madalena?”
-“Não.” Ela respondia.
- “Por quê?” Eu insistia.
-“Não, porque não!” Ela respondia, pegando a bolsa e dando aquele assunto por encerrado. Ia apressada trabalhar na Caixa Econômica Federal mostrando que tinha coisas mais importantes para fazer.
Fica a dica para os pais: “Não, porque não!” não é resposta. Adolescentes não merecem esse tipo de conversa. São questionadores e sempre vão até o fim com os planos mirabolantes.
Ok. Meus primos Kiko e Bernardo me ligavam quase todos os dias. Como era bom ter dois primos gatinhos! Minhas amigas todas babavam! Eram meus novos amigos. Tínhamos histórias da infância pra contar, bisavós em comum e muitas fotos antigas a partilhar. Em Nova Era costuma ter uma festa tradicional dos Nova Erenses ausentes e ficou conhecida como Feane. Quando estive na Feane com meus pais fui apresentada a eles. Nunca ia imaginar que no meio daquela festa chata de família eu ia descobrir novos primos. O melhor era que eles eram bonitos, legais e cheios de atitude.
Eu tinha acabado de sofrer uma decepção amorosa. Estava “ficando” há dois meses um rapaz de Itabira. Estava apaixonada com ele, mas ele me traiu. Pensei até que fôssemos namorar. Descobri que ele “ficava” comigo e com mais umas três meninas de bairros diferentes. Ele também arrumou uma “ficante” em Nova Era.
Na Feane tive uma ótima oportunidade de me vingar. Ele estava com uma das namoradas, mas eu estava com uns quatro. Rodei abraçada com todos os gatinhos de Nova Era. Passei por ele e dei umas gargalhadas sem sentido, só pra ele notar minha felicidade. Depois disso não o vi mais, deve ter ido embora.
Kiko me apresentou todos os seus amigos. O mais bonito parecia com um ator americano, Timoth Hutton. Infelizmente estava de rubéola. Mesmo assim não resisti, beijamos muito e eu não fiquei contaminada.
Através de uma conversa por telefone decidimos nos encontrar numa fazenda onde ia rolar uma festa. Uáscar tinha um maverick branco e isso o fazia ser muito foda naquela época. Então, segundo nossos planos, ele iria patrocinar minha fuga. Eu iria falar com minha mãe que dormiria na casa de uma melhor amiga careta que ela confiava muito. Bernardo iria nos encontrar na rodoviária de Itabira. No dia marcado uma chuva forte começou a cair e a estrada entre as duas cidades deveria virar um lamaçal perigoso e escorregadio, pois era de terra. Kiko ligou falando que já estava saindo de Nova Era. Minha barriga gelou! Minha mochila estava pronta. Combinamos de encontrar na rodoviária. Meu primo chegou de lencinho na cabeça e cigarro na boca. Naquela época era difícil achar um menino de Nova Era que não fumava cigarro. Maconha nem existia pra gente. Era uma coisa de televisão e eu até achava que a gente cheirava maconha. Então, ficávamos no “loló” e na cerveja.
Lá vamos nós, pela estrada afora. Loucura total, o carro derrapava pelos barrancos e nós três não estávamos nem um pouco preocupados. O carro antes branco ficou marrom e parecia uma sauna de tanta fumaça. Chegando à fazenda encontrei os outros amigos e as primas dos amigos. Elas não eram tão loucas como eu e só ficavam rindo de tudo.
Estávamos felizes fabricando o loló e fazendo churrasco. De repente alguém avisa que Madalena estava chegando com Inácio de carro para me procurar. “Mas, como?” Pensei. Não é possível que minha amiga tinha dado com a língua nos dentes! Tharic conhecia tudo na região da fazenda e se ofereceu para me esconder. Joguei o loló fora para não ter mais provas de crime contra mim e saí correndo pelo mato. Lembro-me de ficar escondida numa fábrica e o novo amigo me acalmando. Muita chuva naquela época, férias de dezembro e eu achando que ia ficar escondida ali até o outro dia. Escutamos o carro ir embora e pronto, viva, podíamos sair do esconderijo. Voltamos para o churrasco e eu fiquei toda feliz por conseguir ludibriar meus parentes. Não é que de repente eles voltam e me pegam no pulão???
Acabou minha festa. Voltei escoltada. Madalena passou a noite conversando comigo. Pelo menos ela tem psicologia e eu até entendi a preocupação que minha mãe deve ter passado. Mas, ela mereceu! Não tinha jeito pra conversar e falava de forma bruta comigo: “Não porque não.” “Eu que pago, eu que mando.”
Merecido foi meu castigo de um mês sem sair de casa. Nem no réveillon no Clube Atlético Itabirano eu pude ir. Passei o ano novo de preto, toda revoltada. Assim começou minha fase “dark”.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O surgimento da insegurança



Depois da mágica festa de 15 anos eu passei por muita coisa. Acho que havia uma disputa entre os meninos pra ver quem “pegava” a mocinha debutante. Isso explica os três candidatos a “ficantes” daquela época, além de tantos outros admiradores. Todo o “bafafá” acerca da festa, das fotos, do clip, da beleza e da família por trás da moça atraem candidatos.
O mais rápido foi o príncipe loiro. Eu já contei a história de amor e tragédia que aconteceu com ele. Portanto, mesmo que eu tenha amado muito esse rapaz, eu tinha uma má lembrança do nosso relacionamento. Ele preferiu acreditar no amigo do fusca branco e acabou terminando comigo num dia de chuva forte. No dia da festa de 15 anos ele correu tanto pra chegar na hora da valsa. Lembro-me que as pessoas chegaram falando pra mim que ele tinha batido o carro, depois pegou carona e na hora da valsa, entrou no vácuo do meu último tio a dançar comigo. No dia seguinte à festa ele estava lá em casa para pegar emprestado a fita de VHS com o meu clip.
O segundo garoto a me abordar na festa foi um gatinho de olhos verdes que dançava lambada muito bem. Na valsa ele vacilou no rebolado. Ele arrasava na lambada, tinha um movimento pélvico que me deixava constrangida e ao mesmo tempo eu gostava daquilo. No meio de todos ele me deu uma espremida na parede e começou a falar coisas no meu ouvido. Queria sair dali, porque meus parentes já estavam de olho, mas ele fazia pressão sobre meu corpo. Que atrevido! A cheirada no cangote me deixou cambaleante, meus olhos se fecharam e eu pensei: é ele!
O terceiro candidato também veio correndo pra dançar valsa comigo, ele foi um dos meus primeiros “ficantes”. Mas, eu não queria figurinha repetida.
Na semana seguinte à festa ele me ligou. O dançarino de lambada de olhos verdes tinha um “chevette hatch” e me chamou para dar uma voltinha. Fiquei com dor de barriga e aquela sensação de “querer ir ao banheiro toda hora”. Sem fome o dia inteiro, esperando o momento que ele passaria para me buscar. Nesse dia, a gente se beijou pela primeira vez. A gente tinha o hábito de procurar um lugar alto na cidade, descer do carro, nos espremer, revirar os olhos e desejar nunca sair daquele beijo que durava minutos seguidos.
Depois disso, ao reler minha agenda de 1990 pude observar como eu era ansiosa. Se o meu “ficante” ficava um dia sem me ligar eu já ficava desesperada. Eu me desesperava, chorava, brigava, fazia um escândalo por qualquer coisa. Que menino que aguenta tanta pressão?  Na agenda tem notas de brigas todos os dias. Rios de lágrimas e amigas consolando. Um drama mexicano a cada dia. Fica a dica para minhas adolescentes, que o ciúmes não vai te levar a lugar nenhum. Não sei se ele se cansou, mas fiquei sabendo que tinha outra namorada no bairro onde morava. Ele também gostava de arrumar namoradas em outras cidades. Por isso, eu decidi terminar tudo.
Meninas, todo esse meu desespero, angústia e ciúmes tinham um nome e eu não sabia. Insegurança.
Mas, para quê? Eu podia ser mais segura, sabendo que estava com 15 anos, linda, magra e vivendo um momento mágico. Nós dois vacilamos. Eu botei muita pressão e ele era muito safado.
Meninas, as coisas que eu vivi transcrevo aqui com objetivo de ajudar vocês.
Quando somos adolescentes temos uma visão distorcida dos fatos. Olhamos no espelho e vemos uma pessoa diferente do que somos. Deve ser os hormônios. Eu era linda e me achava feia. Todas as minhas amigas eram lindas, mas eu era feia. Você se sente assim? Saiba que você está errada. Acredite na sua mãe, ela está sempre certa. Parece que na adolescência surge o hormônio da cegueira e da insegurança.
Voltando à minha história. Eu não queria mais saber de garotos. Já era meu terceiro namoradinho e com final trágico. Poucos meses de relacionamento e uma ruptura enquanto o beijo ainda está bom. Resultado: insegurança. “Estou feia, gorda, chata. Ninguém quer namorar comigo.” Era o que eu pensava. Traição aos 15 anos é como quebrar o espelho da verdade e você passa a enxergar tudo torto, em pedaços.


Chega de namorar! Agora eu só vou estudar. Quero virar “nerd”. Me “joguei” profundamente nos estudos para passar nos testes que me levariam para longe daquele lugar. Meu foco era a capital de Minas. Chega desses meninos idiotas do interior!






quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Viajando com a família


Minhas lembranças de viagens são ativadas por fotografias. Meus pais gostavam de fotografar e minha mãe montava álbuns organizados e bem escritos, com legendas hilárias e criativas. Ela sempre pensou nos três filhos, portanto as fotos eram divididas em três álbuns e as histórias também mudavam de acordo com o filho. Ela me ensinou a gostar tanto de fazer diários, álbuns de fotografia e também o ato de estar sempre filmando e fotografando.
A cada viagem era um filme de 36 poses e tudo ficava registrado. Ou seja, fica a dica pra gente não ficar cansando nossos filhos com milhões de fotos diárias e ainda ficar mandando fazer pose. Quando eu tinha 12 anos, meus pais compraram uma filmadora VHS Panasonic, a maleta era enorme, e a câmera ficava nos ombros, depois de um tempo filmando até machucava. Mãe fazia questão de levar três fitas, uma para cada filho. Assim, filmava um pouco pra cada, e hoje cada um tem a sua, depois de casados, em sua própria casa, como ela planejou.
Além de um talento natural para lembrar, tudo isso que meus pais fizeram ajudam e muito a minha viagem nostálgica às lembranças de como era viajar com os pais e meus irmãos.
Porto Seguro, Cabo Frio, Guarapari eram os lugares favoritos da minha família. Quase sempre viajávamos acompanhados por tios e primos. Meus avós também já foram conosco para a praia, acho que com companhias assim a diversão fica completa.
Não me lembro do filtro solar! Ainda bem que o costume da família era acordar cedo e sair da praia para almoçar. Depois descansar na pousada e à tarde era reservada a passeios, lanches e compras. Mas, lembro bem da sensação de ardência na pele, principalmente nas costas e no rosto.
Na adolescência viajar com os pais virou uma coisa chata, porque eu era a bendita mulher entre irmãos e primos! Não tinha companhia e naquela época só um livro pra te salvar de tanta falta do que fazer. Às vezes, meus primos faziam o favor de jogar um baralho e aí eu até entrava na brincadeira.
Viajar com os pais é tão importante! São memórias que a gente guarda para sempre. A gente normalmente começa a relembrar depois de ter seus próprios filhos, e sem querer, começar a repetir tudo que um dia, seus pais fizeram com você.
O carro merece um capítulo à parte. Ar condicionado era luxo para poucos e meu sonho era ter um Opala Comodoro... carro bem chique para a época. Bancos aveludados, vidros elétricos e escuros e ar condicionado. Viajávamos suados e apertados, numa Marajó lotada, com toalhas nos vidros para tampar o sol e muitos travesseiros para ver se a gente dormia e parava de brigar no bando de trás. Três irmãos juntos por longo tempo e, num curto espaço, tem obrigação moral de brigar.
A mãe fica sendo a juíza mediando assuntos, o pai precisa de tranquilidade para dirigir pela estrada perigosa, o irmão mais velho tem como característica fazer sacanagem com o irmão mais novo e usá-lo para me chatear. Eu era uma mocinha que queria muito conquistar meu irmãozinho. Perdi a batalha para o irmão grandão que o teve sempre a seu lado e o ajudava nos planos mirabolantes. Era como Sancho Pança e seu fiel escudeiro, Dom Quixote.
Voltando à cena dentro do carro da família. Tentava dormir, mas não conseguia e seguia com os olhos flutuantes as nuvens que passavam pelo caminho. Às vezes estava introspectiva e não falava nada, às vezes estava com a língua solta. Isso é adolescência, uma montanha russa de sentimentos.
Semanas antes da viagem de férias, minha mãe começava arrumar as malas e meu pai arrumava o carro. Sempre tínhamos que acordar de madrugada para pegar estrada vazia. Levávamos travesseiros para dormir e mãe fazia sanduíches com pão de forma, presunto e queijo. “As comidas da estrada não são confiáveis.” Dizia ela. Então, nas paradas pedíamos só refrigerante e usávamos o banheiro.
Viajar sete dias com a família não é moleza, não! Mas, faz parte do aprendizado. E todo adolescente deve dar conta de fazer isso, pelo menos uma vez por ano.









sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Os primeiros "amassos"


Adolescência é o tempo em que tudo passa muito rápido e tudo é sempre mais intenso. No meu caso os namoradinhos passavam rápido, duravam em média dois meses de “ficadas” e a fila já andava. Em compensação, o sentimento era muito forte e o convívio diário.


A paixão louca de beijar na boca vários minutos seguidos, trocando salivas e agarrando aparelhos é uma técnica desenvolvida na adolescência. Durante os longos “amassos" sentimos uma série de calafrios estranhos que ainda não sabemos o que é. Tudo é novo e gostoso!

Com quatorze anos eu dei meu primeiro amasso com meu primeiro namorado. A explosão de hormônios da adolescência, mais o perfume Azarro, que muitos garotos usavam na época, uma bala de cereja na boca, o remelexo da lambada e um cantinho escuro. Tudo isso somado a dois corpos jovens equivale a um “super” amasso.

O perigo maior estava em entrar nos carros. O gatinho logo se transformava num polvo e as duas mãos se transformavam em oito e tentavam passar por todos os cantos do corpo. Mãos pra lá e pra cá, e a boca colada, olhos fechados, respiração ofegante, música lenta e o vidro do carro logo embaçava.

Em 1990 quase todos os garotos de 15 anos andavam de carro pela cidade, por isso, o local era bem propício para namorar. Sempre havia uma desculpa. Na maioria das vezes todos os carros da cidade vão para o mesmo lugar tranquilo e com uma linda vista. Estranho isso, não é? Todos querendo ficar juntos em um momento tão íntimo! Acho que é para dar segurança. Pois é, não era de bom tom ir nesse lugar, mas todos iam... e era muito bom poder ver quem aparecia por ali.

Nessa idade meus “amassos” não passavam disso, mas a sensação de prazer era tão forte que eu gostaria muito de tê-los novamente. Dentro ou fora do carro, uma esfregação pélvica com calça jeans, beijos nunca dantes navegados, prazeres nunca dantes mensurados. Pelos muros da cidade, embaixo de cada poste, a cada minuto um beijo que durava uma eternidade.

Mas, lembrem-se: não passar disso é fundamental para seu desenvolvimento. Porque ficar grávida na adolescência não é nada legal.

Sempre fui pra frente e meus primos coloraram um apelido em mim: “Evolução”. Adoro esse adjetivo que me representa muito bem. Beijar é muito bom. E lembrando da minha adolescência me deu vontade de beijar muuuuuitooooooo. kkkkkkkkkk

P.S Antigos “amassos” são hoje as “pegadas”. Como eu era boa em criar uma gíria, mais tarde denominei de “tchá”. E a pressão pélvica passou a chamar “elevador assassino.”.

domingo, 31 de agosto de 2014

Dizer a verdade é a melhor opção






Às vezes a gente fala e escreve coisas que não queria.
Vê se vocês me entendem.
Sofri muito quando, aos 14 anos, meu “ficante” terminou comigo por causa daquela armação que fizeram. Para quem ainda não leu essa parte da história volte no conto, “Trauma aos 14 anos”. Quando fui ler na minha agenda estava escrito assim: “Terminei com meu príncipe loiro, Graças!!!”. E com três exclamações.
Pensei hoje: “Como assim?”.
Passei cinco páginas pra frente e me deparei com o escrito de uma amiga: “Seu príncipe pegou sua agenda e leu. Desculpe, mas ele tomou de mim.”.
Este foi o fim derradeiro e eu tinha me esquecido. O que eu lembrava era a verdade absoluta, por isso, vale o ditado popular: “Mentira tem perna curta.”. Eu escrevi o que eu queria que minhas amigas lessem e não meu verdadeiro sentimento. Mas, nunca imaginei que meu príncipe fosse roubar minha agenda para ler minha história. Ele realmente gostava de mim e queria comprovar minha verdade em contrapartida do que os amigos falavam para ele. Eu realmente não traí meu gatinho, como a cidade pintou, mas, o que ele leu foi forte demais. “Terminei com fulano. Graças!!!”.   
Se eu tivesse escrito a verdade, provavelmente ele teria lido e se sensibilizado. Diários são verdadeiros tesouros onde seus pensamentos mais profundos são descritos ali. Não deixe de sempre escrever o seu real sentimento.
Por exemplo: No dia 23 de julho de 1990 quando completei 15 anos está escrito assim: “15 anos de sexo, drogas e rock in roll”.
Eu sou terrível, querendo passar uma imagem de drogada e com experiência em sexo. Como assim? Não sabia nem o que era droga e nem sexo! Kkkkkkkk Tem que rir pra não chorar.

Meninas, #fica a dica#, não finjam ser quem vocês não são. Isso não leva a nada. Porque mais dia, menos dia, todos descobrirão a verdade. Seja você mesma! O seu jeitinho pode ser qual for, mas é seu, e é especial e diferenciado. Aquele gatinho que você está paquerando tem que gostar de você pelo que você realmente é.
Postar nas redes sociais mentiras e bobagens não é o melhor caminho. Valorize suas reais qualidades, não as que você gostaria de ter.

Quando a gente é adolescente a gente sofre e finge que não sofre. Isso não é saudável. Foi muito triste meu fim de “ficadas” com o loiro da Brasília azul. Por meses lutamos contra nossos sentimentos por causa dos outros. Eu gostava dele e fingia que não ficando com outros rapazes. Ele gostava de mim e fingia que não ficando com outras garotas. Nós nos magoamos mutuamente e preocupamos demais com o que a turma ia dizer.

Estávamos completando um mês de ficadas, isso já determinava um namoro, mas o amigo dele me ligou e disse que tinha uma fita cassete pra me entregar. Passou lá em casa e “crau” me agarrou dentro do carro. Eu resisti, mas isso foi suficiente para que esse monstro do fusca branco me detonasse perante a galera. Com algumas testemunhas que me viram passar dentro do carro, minha sentença foi decretada. No entanto, quando tive minha chance, quando ele roubou minha agenda, ao invés de ler a verdade, ele leu: “Terminei com fulano. Graças!!!”

Ninguém merece! Às vezes tentamos nos enganar dizendo que alguém acabou com nosso destino, mas nós somos responsáveis também pelos acontecimentos. Minha vontade era de rebobinar essa fita e reescrever na agenda: “Meu príncipe terminou comigo. O amigo dele me agarrou à força e roubou um beijo. Tudo porque ele queria me entregar uma fita.”.

Eu nem imaginava que ele ia querer ler minha agenda. E aí, a história poderia mudar de novo, a meu favor.
Dizer ou escrever a verdade é sempre a melhor opção.



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Como manter uma amizade para sempre




Na infância você tem seu primeiro contato com o mundo. Na escolinha surgem as primeiras amizades, meninos e meninas. Na fase adulta, essas amigas relembrarão de suas peripécias infantis, seus medos, seu xixi na calça, o dia que seu dente caiu e você chorou. Serão lembranças bucólicas e deliciosas de serem lembradas. Às vezes encontro essas amigas do ballet e da Escolinha Serelepe e rimos muito de nossas aventuras, elas lembram coisas que sem elas em mesma não me lembraria.
Na adolescência é importante ter amigas para fofocar e falar sobre os garotos. Estudar também, mas isso vem depois dos garotos. Cuidado, essa fase é perigosa, Os hormônios deixam os humores alterados e vocês podem cair em tentação. Nunca fique com o gatinho que sua amiga sonha tanto, mesmo você sabendo que é platônico. As lembranças dessa fase são surreais, com muitos beijos na boca e planos mirabolantes. Você precisa das amigas para dar a versão delas para os fatos. Na verdade, quando adolescentes somos altamente inseguras e por isso, uma amiga verdadeira é fundamental para narrar fatos sem tanto melodrama. Se você preserva amigas da adolescência tem história pra rir a vida inteira. Tem os amigos também, mas quem disse que confiamos em meninos. Eu nunca consegui ser amiga de verdade de um menino. Eu quase acreditei nesse papo de amizade verdadeira, mas fui decepcionada por todos com propostas indecentes.
Na faculdade você precisa de novas amigas, pois muito dificilmente estará com as antigas. Afinal, nesse momento cada uma segue seu caminho. Nas amizades tem sempre o momento do encontro e o momento que cada indivíduo escolhe seu próprio caminho. O curso superior a seguir é uma decisão muito pessoal, sai a moçada do Ensino médio e cada um encara sua dura realidade rumo à profissão. Nessas horas as amigas servem para fazer trabalhos juntas, falar sobre os gatinhos da faculdade, os melhores professores, colar matéria perdida, lanchar juntas na lanchonete e até pegar carona, te ajudar a não beber demais nas “calouradas” e te segurar quando você tentar agarrar o professor gato.
Na fase adulta ainda aparecem novas amigas, mas são mais escassas.
(Quando você casar serão as antigas amigas que estão com você. Quando você ficar grávida serão as antigas amigas que visitarão seu bebê.)
Na fase mãe suas amigas serão mulheres que tem filhos da mesma idade que o seu. Essas amigas serão companheiras para passear, falar sobre tudo que envolve o mundo dos bebês. Os benefícios são os mesmos, os problemas também. As mamães de filhos pequenos se afastam naturalmente para criar sua prole. É o instinto materno. Mesmo as antigas amigas ficam parecendo distantes, é porque mãe cheira mãe e filho cheira filho. Precisamos estar na mesma “vibe” para interagir melhor.
Para todas essas fases precisamos de qualidades para preservar nossas amizades:
1.       Saber ouvir,
2.       Flexibilidade (fazer algumas exceções),
3.       Honestidade/sinceridade,
4.       Tolerância,
5.       Não esquecer as datas mais importantes (aniversário),
6.       Sempre manter contato,
7.       Respeito,
8.       Carinho,
9.       Saber ouvir e saber falar,
10.   Muito amor.





segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Dicas de como ficar esperta no facebook



A inveja alheia

Desde que o mundo é mundo existe a inveja. O mal inveja o bem. O ódio tenta vencer o amor.
Desde que o mundo é mundo as guerras, a violência, as pestes, pragas e doenças assolam nosso paraíso.
O próprio homem constrói e destrói. Deus e o Diabo na terra do sol, já dizia Glauber Rocha.
Temos cada um de nós, Deus e o diabo no nosso coração.
As ferramentas modernas, como a internet e as redes sociais desenvolvem nosso lado mais invejoso.
Antes eram as janelas para nossa própria rua que nos contavam novidades. Depois, a televisão aumentou o nível de fofoca. As novelas nos mostram mulheres magras, maravilhosas e com roupas espetaculares. Morremos de inveja. Agora, com as redes sociais ficou muito mais difícil viver sem esse sentimento da inveja.
Impossível não invejar pratos deliciosos, cerveja com muitos amigos, paisagens espetaculares por todas as partes do mundo. Beijos de amor, declarações apaixonadas de maridos e namorados, filhos maravilhosos e inteligentes. Roupas da moda, carros novos, jantares especiais e sempre muitos amigos. Quanto mais alegre é a foto melhor.
Creio que as redes sociais são um banquete perfeito para os invejosos de plantão. Reparei que muitas pessoas são fantasmas na rede social. Estão lá apenas para bisbilhotar a vida alheia e não curtem e nem comentam. Existem frases que servem pra tudo:
“Tudo que é bom, dura pouco”, “Boca aberta entra mosquito”, “Quem abaixa demais lá aparece”, “Quem fala demais escuta o que não quer”.
Inveja do mal: as pessoas ironizam seus comentários, as pessoas são sarcásticas sem se deixar notar. Algumas são fantasmas, que bisbilhotam e não curtem e nem comentam. Outras pessoas comentam e curtem, mas por trás falam mal de você.
Tudo que uma bruxa do passado precisava era o facebook.
Saber onde seus inimigos estão, o que estão fazendo, os filhos que tiveram, quantos anos tem, o que estão fazendo de suas vidas e onde podem ser encontrados.
Antigamente poucos tinham esse poder, hoje quase todo mundo tem uma bola de cristal em casa. O negócio agora é arrumar seu “patuá” de proteção e andar agarrado nele.
Contra todos os males, vale reza brava, amuletos da sorte e muita proteção.
Porque infelizmente eu não consigo deixar a rede social por medo da inveja.
Existem também muitos benefícios dessa ferramenta moderna.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Para maiores informações sobre meu blog

Para maiores informações

Escrevo esse blog tentando solucionar perguntas dos adolescentes. Existem várias questões, e muitas vezes o jovem não sabe a quem recorrer. Minha mãe trabalhava muito, além disso, não foi criada para ter um papo aberto com os filhos. Família mineira tradicional misturada com igreja católica apostólica romana. Como falar sobre sexo se para eles esse assunto só deve ser tratado dias antes do casamento?
SEXO! Palavra que assusta tanta gente!
São tantas questões inerentes à palavra sexo que a escola também dribla esse assunto. Apesar de ser tão pertinente e científico tem a moral, a religião que impedem alunos de terem contato com esse assunto.
Tem gente que pensa que meu blog é proibido para menores porque uso a palavra “sexo” em vários contos. Essas pessoas estão confundindo sexo com sexualidade. Falar sobre sexo não é assim tão perigoso. Negar que adolescentes pensem nisso é o pior. E não estou falando do ato sexual, estou falando de tudo que envolve a vida sexual da criança que está se transformando em adolescente.
Se a criança já está com pelos púbicos, se o menino tem polução noturna, se a menina está desenvolvendo as mamas, isso é sexualidade. Isso é falar de sexo. Por isso, quando tinha 14 anos fiz o trabalho baseado no livro da sexóloga, Marta Suplicy, chamado “Sexo para adolescentes”.
O livro fala de espinhas, pelos púbicos, seios, menstruação, enfim, tudo aquilo que pode até amedrontar as crianças se não conversarmos antes com elas sobre isso.
Meu blog não é erótico podendo ser lido por meninas e meninos. Os pais também deveriam ler para saber lidar com situações que surgem nessa época.
Escrevo baseado em minha vivência, mas também nas experiências de amigos e amigas. Os contos são baseados em fatos reais, mas, qualquer coincidência é mera semelhança, ou será o contrário?  Quando escrevo deixo minha imaginação fluir e crio situações também.
É um perigo para os pais acharem que é cedo demais para falar sobre certos assuntos. Melhor prevenir do que remediar. Antes cedo do que tarde, antes tarde do que nunca.
Cresci ouvindo que sexo antes do casamento é pecado mortal. Quando minha mãe descobriu que eu transava com meu namorado (eu já tinha 25 anos) ela disse que eu ia queimar no inferno. Tem como continuarmos com esse discurso? Sexo não é nojento, não é sujo e não é pecado, desde que haja amor, respeito, confiança e amizade. Desejos surgirão em vários momentos. Será a melhor hora? Será com o garoto certo? Meus contos falam sobre todos esses pensamentos. As minhas reflexões são reflexões de muitos jovens. Eu já errei e espero que essas crianças que estão se transformando, ao lerem meus textos pensem duas vezes antes de fazer a mesma coisa. “Se para ela não deu certo, para mim também não vai dar.” Ou, “Se para ela deu certo, para mim também vai dar.”. Ler é refletir.
Esse blog serve não só como fonte de informação, serve também para diversão. Pode ser jovem ou não. Tem o público da minha idade, na faixa dos 40 anos que pode gostar, ao relembrarem a fase de emoções mais intensas da vida: a adolescência.
Então não tenham medo se no meu blog eu falar sobre sexo.
Sexo é vida!
Entrem no meu blog, fiquem à vontade e divirtam-se!





quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Videntes, cartomantes, jogadores de tarô, ciganas, mapa astral etc e tal.


Videntes, cartomantes, jogadores de tarô, ciganas, mapa astral etc e tal.

Sinto muito, mas eu não acredito mais em vocês.
Já teve uma época que acreditei nos poderes “adivinhatórios” dessa turma, mas nem com muita boa vontade eles acertaram alguma coisa.
Quando eu era criança, porém com independência suficiente para ir sozinha até o ballet, caminhava na avenida mais movimentada da minha cidade e fui abordada por ciganas. Queriam ler minha mão. “Que leiam.” Pensei. Mas, elas queriam algo em troca, senão não leriam. “Então, não leiam.” Pensei. Pouco me importando com aquilo, mas com um pouco de medo daquelas mulheres que chegavam me puxando logo o braço e depois a mão. Eu era uma pequena mocinha de roupinha cor de rosa e não tinha dinheiro algum. Mas, as ciganas eram espertas e sabiam muito bem onde era minha casa. Eu sempre saía pela loja do meu pai, que ficava no andar debaixo da minha casa. Quando voltei, lá estavam as mulheres e suas crianças de roupas coloridas, muitos pingentes e miçangas de ouro e mais anéis e pulseiras. Para o desespero do meu pai, elas carregavam enormes sacolas e se espalharam numerosamente pela loja. Depois que foram embora meu pai falou que eram ciganos, um povo nômade que vivia pouco tempo em cada cidade. Moravam na estrada. Eu fiquei chocada. Até hoje custo a entender pessoas assim, que vivem sobre rodas, montam tenda por pouco tempo, com toda família, filhos nascendo em cada cidade pelo Brasil afora. Ele também me disse que os ciganos adoram ouro. Daí eu entendi porque as mulheres usavam tudo de uma vez, cinco anéis em cada mão, brincos enormes, muitas pulseiras chacoalhando pelo ar, colares e até dentes de ouro. Fediam e os cabelos eram sem pentear. Andavam de pé no chão e as roupas não eram tão novas! “Pai, se eles não trabalham de onde vem tanto ouro?” Fiquei curiosa.
“Os homens vivem de trapaças, pequenos golpes e truques. As mulheres tentam ler a mão das pessoas e ganhar uns trocados. Por isso mudam sempre de cidade, pois estão sempre fugindo.” Explicou meu pai.
Nunca irei me esquecer dessas ciganas, no dia seguinte estava elas lá de novo. Passei pela rua e não dei bola, mas elas são insistentes e agarram minha mão. Difícil uma criança reagir como hoje eu reagiria, com fúria e indignação. Deixei ela olhar para a palma da mão e dizer em tom de raiva e desdém que eu viveria pouco. Parecia que ela queria vingança pelo tratamento que recebeu no dia anterior. “Vai tomar banho, sua fedorenta.” Pensei. E sai “cantarolante”, mas isso realmente eu nunca esqueci. Esse foi meu primeiro contato com os ciganos.

Depois, com dezessete anos e seis meses, sofrendo amargamente a perda de uma amor, deparei com um folheto na mesma avenida da minha cidade. Estava escrito “Mãe Diná traz seu amor de volta em sete dias”. Nem lembro o nome da pessoa, peguei um já famoso por aí emprestado para escrever esse conto. Enfim, na juventude estava perdida e carente. Precisava de um namorado e só tinha um amor platônico que alimentei por cinco anos. Estava perdida também porque não sabia o que fazer para o vestibular e não podia nem sequer pensar em fracassar, pois meus pais investiram tudo que tinham para me mandar para a capital mineira e conseguir um bom diploma. Não pensei muito, li o papel, juntei minhas semanadas e marquei horário com a vidente. Juntei também minhas esperanças e frustações. Tinha a ilusão que essa mulher poderia resolver minha vida como num passe de mágica.
P.S. Mágicos não existem. São artistas que usam de truques e trapaças e não fazem milagres não.
Todas as pessoas que dizem adivinhar nosso futuro ou fazer trabalho para conseguir as coisas são ladrões de nosso dinheiro. Acima de tudo são ladrões de esperanças. Durante algum tempo acalentam nossos corações frágeis e quebrados. Por pouco tempo fingem carinho e atenção, nos escutando e aconselhando. Até o momento que seu dinheiro acaba.
Eu acreditei e fui boba porque tenho o coração aberto e pronto para acreditar nas pessoas. Também porque era muito carente com mãe trabalhando fora mais de 8 horas por dia e meu pai não interagia com esses assuntos de amor. Com quem eu poderia contar?
Como seres humanos frágeis e bobos podemos cair em armações de outros seres humanos muitos espertos, malandros e com má intenção. Essas pessoas vivem às custas de nossas inseguranças e desilusões. São criaturas pequenas que se dizem com “super” poderes.
Sejamos sinceros, como eu você já deve ter procurado ajuda dos profissionais da adivinhação, pensemos:
“-Como eu estava me sentindo?”
Certamente perdidos e carentes.
Com dezessete anos estava tão perdida que a mágoa e o ressentimento me cegaram. Eu não consegui me lembrar daquela cena de quando eu era uma mocinha bailarina e tive contato com os ciganos. Naquela época eu vi que esse povo não era de confiança. Voltei numa cigana e comecei um trabalho para trazer meu amor. Por meses eu gastei todo meu dinheiro, depois de um tempo, a cigana fugiu da cidade, deixando uma legião de zumbis, mortos vivos sem esperanças, sem dinheiro. Vi filas de gente na porta da casa que ela alugou. O inquilino queria o dinheiro, o açougueiro lamentava o prejuízo, pessoas choravam por ter empenhado jóias e sonhos. O padeiro, lojas de roupas, enfim, por onde ela passava deixava um rastro de destruição. Cigana, vidente, cartomante, seja lá o que ela era, mais parecia o diabo em pessoa. Resultado: destruiu a vida de pessoas e a minha também.

Uma boa lição eu tirei: Ninguém sabe nosso futuro. E se tem alguém que pode nos ajudar esse alguém é nós mesmo.
De onde viemos? De Deus. Para onde vamos? Você escolhe!
Deus te deu a opção de escolher. Eu desconfio de todas as pessoas que fingem ser Deus.
Se você está com problemas tente relaxar e deixar a vida fluir como um rio natural. Deus é a natureza. Se você pensar sua vida como a natureza, estará seguindo as leis de Deus.
Não permita que aquela serpente tire de novo seu paraiso.
Uma serpente sibilou nos meus ouvidos que eu poderia saber tudo sobre o bem e o mal. Eu poderia conhecer todos os mistérios da vida, eu podia ser Deus. Eu acreditei e mordi o fruto proibido da árvore do conhecimento. Depois disso vivi anos de trevas, tive vergonha de mim mesma, eu arrastei e me escondia por anos a fio. Minha caverna, meu escuro interior, minha vergonha, minha decepção. Perdi meu paraíso para sempre. Como pude acreditar que uma mulher poderia saber mais que Deus, me ajudar mais do que Ele, como pude duvidar Dele?
Hoje em dia eu saí de minha caverna e enxerguei a verdadeira luz.
Humildade é a palavra para entender que os mistérios da vida devem continuar misteriosos. Não mais enfrento Deus com arrogância juvenil, eu O entendo e permito que Ele me guie calmamente.
Somos parte da natureza que Ele criou e como um rio, seguirei meu percurso conforme Ele me fez. Cada pessoa é de um jeito, cada rio tem seu curso.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Montanha russa de emoções



No início dos anos 90 a gente não tinha internet, celular e nem internet com celular. A gente não tinha TV a cabo e nem mil opções de canais, não tinha computador e muito menos joguinho em aparelhos eletrônicos.
Uma das coisas que mais fazia, além de brincar com minhas amigas, era escrever cartas e agenda. A agenda era um ritual que envolvia colagem, códigos e muito "scrap book". Através dessas cartas e das agendas percebo que com 14 anos eu tinha uma autoestima até boa para a idade.
Significado de Autoestima
s.f. Característica de uma pessoa que valoriza a si mesma, dando-lhe a possibilidade de agir, pensar e exprimir opiniões de maneira confiante.
Saía muito, tinha muitos amigos, tinha uma vida social bacana.
E, nas minhas cartas e agendas eu não fico reclamando da aparência.
Antes dos 15 anos teve uma preparação para minha festa. Produzimos um book e um clip com imagens que minha mãe filmou. Todos amaram. Diziam que eu parecia com uma atriz da Rede Globo. Eu tinha três admiradores e na hora da valsa foi uma briga para ver quem dançava comigo primeiro.
Depois dos 15 anos e 6 meses houve uma mudança radical na minha vida.
Eu fui morar em Belo Horizonte, fiquei sozinha num apartamento, tendo que fazer minha própria comida. Pensem comigo, adolescente fazendo comida? O quê vocês acham que eu comia? Só porcaria. Claro que minha mãe até tentava nos ajudar, mas vindo uma vez por semana, a comida saudável acabava logo e sobrava vontade de comer os salgadinhos, os biscoitos recheados, muito hambúrguer, pizza congelada, refrigerantes.
Além disso, tinha muita ansiedade envolvida, a necessidade de cuidar da própria vida sozinha e a solidão que batia tantas vezes na porta do meu coração. Resultado: engordei muito. E aí, após os 16 anos eu só reclamava do meu corpo e da minha aparência nas agendas. Ainda bem que tenho fotos que comprovam que eu não era a monstra que pintava.
Eu era linda e nem sabia! Tudo por causa de uma pequena depressão que iniciou dentro de mim. É verdade! Sair da casa dos pais aos 15 anos para morar na capital, estudar, pagar contas, comprar livros, pegar ônibus para diferentes lugares sem conhecer nada daquela tal cidade grande, isso tudo foi muito forte pra mim. E acima de tudo, a pressão geral pra passar no vestibular. “Pense em sua mãe e seu pai, que estão fazendo sacrifícios para você estudar aqui.” Diziam todos da minha família.
Meninas, a rapadura é doce, mas não é mole não.
Morar em Belo Horizonte sem os pais pode ser o sonho de muita gente, mas assumir as responsabilidades é o mais importante.
Ás vezes parece que não vamos dar conta.
Todas as fases são necessárias para que possamos crescer.
Vaidade demais atrapalha.
Estudo demais atrapalha.
Diversão demais atrapalha.
Temos que equilibrar tudo isso.
Quando fui para Beagá eu só estudava, pouco me divertia, não tinha família por perto, ninguém para cuidar de mim e acabei entrando numa fossa. A adolescência é assim: cheia de altos e baixos. Tem horas que você se sente o máximo de linda e depois o máximo de feia. “Ninguém me ama, ninguém me quer” eu escrevia por todas as páginas das agendas de 1991 e 1992. “Sou uma baleia!” Começava dietas todas ‘as segundas feiras, fazia simpatias para emagrecer e arrumar namorado. Mas, a ansiedade e a baixa autoestima não permitiam ter confiança em mim. Na terça eu já comia um chocolate para aliviar a pressão. Se é que vocês me entendem.
Conclusão: durante dois anos eu não consegui mudar tanto, mas na minha cabeça eu mudei sim.
Então, meninas, coloquem uma coisa na cabecinha de vocês:
Não confiem cegamente em seus sentimentos.
Eles nos enganam.
Acredite que a vida é uma montanha russa, que depois de toda descida radical tem uma subida emocionante.
E quando você estiver pra baixo tente se lembrar de como era quando você estava pra cima, se sentindo linda, confiante e com três gatinhos querendo dançar valsa com você.
Bola pra frente que atrás vem gente.
Beijinhos carinhosos





segunda-feira, 21 de julho de 2014

1990




1990


Para vocês, meus jovens leitores, aviso que a década de 90 é muito diferente dos dias de hoje. Vou citar exemplos:
Pra começar não tínhamos celular, computadores ou internet. Vocês devem estar pensando o que nós fazíamos? Juro que até eu parei pra pensar. Mas, ufa, encontrei várias coisas legais que eu e minhas amigas costumávamos fazer.
Eu não tenho irmãs e meus pais trabalhavam muito. Eu tenho dois irmãos que nunca fizeram muita questão de me compreender. Talvez eles me achassem muito diferente, afinal eu era mulher! Então, para não morrer de solidão eu tinha muitas amigas. E nós encontrávamos todos os dias. Sempre depois das aulas.
Meu avô ou meu pai me levava de carro na casa de uma delas, ou elas vinham para minha casa. A última coisa que fazíamos era estudar. A gente brincava. Sim! Meninas de 14 anos brincando de gravar um programa na Rádio. Lá em casa tinha um microfone, eu gravava a voz e depois colocava os discos de vinil na hora da música. Por isso duas pessoas era fundamental.
Vocês estão lendo isso? Eu colocava os discos de vinil no som do meu pai. Não era CD e muito menos mp3. Queria muito ter essas fitas gravadas. Fitas cassetes! Nossas criações eram fantásticas! A minha colega fingia ser a ouvinte e eu a locutora da rádio. Depois trocávamos de cargo para ficar mais emocionante. Cada coisa que inventávamos era motivo para muitas gargalhadas.
Eu tinha uma turma que era “show”! A gente amava um desenho onde as garotas cantavam e dançavam. Então, as cinco amigas juntas podiam ensaiar o show da Jem! Uau! Fala sério! E tinha até figurino. Fiz tranças azuis com as cordas que achei na loja do meu pai. Cada uma de um jeito. Dançando para emagrecer e depois engordar de novo comendo um “super” brigadeiro. E, por final, dos encontros com as amigas, estudávamos correndo porque a noite já tinha chegado e era hora de ir pra casa, jantar e dormir. Sem celular e sem internet, apenas uma novelinha básica.
O grupo de trabalho era de amigas inteligentes. Por isso, sempre ganhávamos pontos nas apresentações. Eu pedia para minha mãe filmar, às vezes eu mesma filmava. Sem querer eu já demonstrava traços de quem um dia iria trabalhar com os meios de comunicação. Agora mesmo estou passando o maior aperto procurando essas fitas VHS onde eram gravadas as imagens. Afinal, não existia o computador para guardar as imagens e nem celular para filmar. Então eu tinha uma máquina fotográfica com filme e uma filmadora com uma “fitona” enorme lá dentro que gravava os vídeos. A gente assistia no vídeo cassete, que era bem parecido com o aparelho de DVD. A “fitinha” cassete era para gravar as músicas e a gente ouvia em casa e também no carro.
Genteee, foram muitas mudanças, estou chocada comigo mesma. Antes de começar a escrever eu mesma não tinha noção de quantas transformações sofremos da década de 90 para cá. Depois de 25 anos a gente olha para o passado e acha que está muito longe. O importante é que as amizades continuam sempre verdadeiras.
Lá em casa tinha o telefone fixo para toda família. Então, quando eu e minhas amigas não podíamos encontrar, a gente ficava “pendurada” no telefone. O termo continua igual, mas a diferença é que eu monopolizava o telefone e ninguém mais conseguia ligar para minha casa. Já cheguei a ficar 2 horas no telefone com minhas amigas. Pelo menos nesse quesito era bom que minha mãe trabalhasse o dia inteiro. Assim, eu podia ficar mais à vontade à tarde toda na minha casa.
A década de 90 era muito diferente mesmo, a gente ouvia lambada e dançava juntinho. Pode parecer estranho, mas tinha tanta coisa boa que eu poderia ficar escrevendo, escrevendo, escrevendo...


domingo, 20 de julho de 2014

Sexo? Só o científico!


Depois do “sexo para adolescentes”, o sexo científico, apresentado na Feira de Ciências da escola. Fiquei pensando realmente que era especialista no assunto sexo. Foram dois anos consecutivos estudando e falando sobre o assunto: As transformações no corpo de meninos e meninas, a relação sexual, contracepções e os nove meses de gravidez e desenvolvimento do bebê.
Com 15 anos eu palestrava para meus colegas e professores sobre sexo. Mas, na prática eu não sabia nada. Algumas perguntas “maldosas” eu não sabia responder, principalmente quando envolvia linguajar “xulo” que não aprendi nos livros e nem na vida real.
Minha mãe não conversava sobre essas coisas, mas me deu o livro da Marta Suplicy que gerou os dois anos de projetos na Feira de Ciências e dois prêmios de primeiro lugar. O que faltava na minha vida naquele momento não era conhecimento e nem conversas com mamãe, faltava um namorado.
Infelizmente eu não arrumava namorado. Tudo por causa daquela história do menino da Brasília azul que pensou que o traí com o menino do fusca branco. Se você quiser saber melhor sobre a falsa traição tem que ler o texto sobre isso aqui nesse blog. Mas, só eu sei da verdade e minhas amigas mais íntimas, para o resto da galera eu fiquei com fama de menina fácil, aquela que não dá pra confiar. Que menino ia querer namorar uma menina assim? Ah, se todos soubessem como fiquei traumatizada com essa armação! Eu pensava e penso até hoje: “O que eu fiz pra merecer isso?”.
Eu era apaixonada com o príncipe loiro da Brasília azul, queria muito ter vivido as primeiras experiências com ele. Mas, o destino não quis assim. Fui retirada à força desse caminho cor de rosa.
Era muito estudiosa e me destacava nas redações. Sempre gostei de escrever. Escrever é bom, mas reler meus pensamentos é melhor ainda.
Como não tinha parceiro, demorei muito a praticar o tão aclamado ato sexual.
Aos 15 anos e 6 meses eu me mudei par Belo Horizonte e foquei nos estudos. Pelo menos tentei focar nos estudos, porque logo apareceu uma garota no colégio novo que ia mudar minha história. DILÚVIA: um dilúvio de mulher.
Mas, voltando ao assunto desse texto. Eu fiquei dos 15 aos 17 anos e 6 meses tentando arrumar um parceiro para conseguir dar fim à minha virgindade.
Não deu pra ser certinho, daquele jeito cor de rosa que falei anteriormente, com namorado de anos e tal, então o jeito era planejar tudo. Enquanto isso eu trainei bastante com os “ficantes”. E a gente beijava muito e ficava até com a boca doendo.
Uma vez, eu beijei tanto um garoto de aparelho nos dentes que o negócio engatou um no outro, afinal eu também usei aparelho até os 16 anos. Foi muito constrangedor. A gente estava num canto da festa e por lá ficamos. Até parece que ia pedir ajuda, esperar um dentista? Forçamos para trás as cabeças e acabamos arrebentando os aparelhos dentários. Melhor entortar o ferro do que quebrar os dentes. Aiaiaiaiaiaia
Cada beijo é uma emoção diferente.
E os garotos ficavam querendo muito mais, mas eu estava concentrada nos estudos em Belo Horizonte. Meu primeiro ano na capital, vivendo com meu irmão, sem pai e nem mãe. Aiaiaiaiai
A vida na capital mineira não foi fácil pra uma menina de 15 anos e 6 meses. Muita cobrança dos pais para que a gente tivesse juízo e estudasse o máximo que pudesse. Aproveitar a oportunidade e não fazer besteira.
Eu estava no foco.
Nada de sexo na prática, apenas o científico e só.