domingo, 16 de fevereiro de 2014

Sexo para adolescentes

Eu era uma boa aluna.
Nas minhas agendas estão registradas a minha rotina de estudo e deveres. Meus pais me ajudavam apenas no horário de levantar cedo. Que vida dura a de estudante! Acordar às seis da manhã é o pior dos castigos. Por isso, chegava da escola, almoçava e dormia até às três da tarde. Quem nunca assistiu à sessão da tarde não foi feliz na adolescência! Depois de comer pão com margarina e leite com achocolatado, ia estudar.
Na verdade, estudava poucas horas por dia. Com 13 anos e 6 meses comecei a me interessar por outras coisas. Queria sair com amigas, paquerar, passear no clube e ir ao cinema.
Mas, existe uma formalidade, pontos a cumprir, metas a chegar. Eu não queria ficar em recuperação em nenhuma matéria e muito menos tomar “bomba”. Eu também fazia cursinho de inglês e minha mãe dizia que custava caro. Meus pais sempre me disseram que estudar era minha única obrigação. Estavam certos!
Durante o ano a escola oferecia várias atividades. Uma delas é a Feira de Ciências. Foi uma decepção nos dois anos anteriores com o resultado do nosso grupo, que escolhia temas nem um pouco interessantes: camada de ozônio e legislação de trânsito. Decidi mudar o foco, queria revolucionar. Nosso grupo era sempre com as mesmas pessoas, por isso todas queriam mudança.
Numa dessas reuniões de grupo, na casa das minhas amigas gêmeas, estava ansiosa para contar a ideia mirabolante que explodia na minha cabeça. Eu maquinei tudo na minha casa, na noite anterior, quando minha mãe me deu um livro de presente.
Ela disse:
 - Comprei um livro para você aprender sobre seu corpo e sobre as transformações que está vivendo. Minha mãe nunca falou comigo sobre isso e muito menos meu pai. Eu também não sei falar sobe sexo.
O título do livro era Sexo para adolescentes, da Marta Suplicy. Era isso que eu precisava. Todos da minha idade querem aprender sobre sexo e isso é pesquisa científica. Difícil será convencer minhas amigas, elas podem ficar com vergonha de falar tão abertamente sobre esse assunto. Depois desse “clic” fiquei sem dormir, sabia que era uma ideia genial.
Voltando para a reunião de grupo... Nós rimos muito ao relembrarmos de nossas apresentações fracassadas. Afinal, por que escolhemos os temas “Camada de ozônio”? Pelo menos é mais interessante que “Legislação de trânsito”! Por que fizemos uma pesquisa científica sem ao menos nos interessar pelo tema?
Na hora em que nos sentamos à mesa da cozinha para comermos biscoito maisena e suco tang eu pedi pra falar. Fiz todo aquele teatro e minhas mãos não pararam de gesticular:
Eu: - Meninas, esse ano nós vamos ganhar.
Todas: Cara de surpresa.
Eu: - Eu tenho certeza. Vamos comemorar?
Cara de “como assim”.
Eu: - Chega de salas vazias! Nossas apresentações serão as mais prestigiadas. Nossa sala ficara lotada. Sabem por quê?
Olhava para as minhas amigas como seu fosse um político querendo o voto delas. Duas me olhavam sérias, uma já começava a rir e a outra estava sem paciência.
-Por quê? Todas me perguntaram para que eu pudesse enfim desembuchar e livra-las daquele espetáculo.
Eu respondi em tom de naturalidade: - Vamos falar de sexo.
Elas riram e se entreolharam. Pegaram o livro que joguei na mesa e começaram a analisar o material. Elas empolgaram com a ideia e selamos nosso negócio com abraços de vitória garantida.
Foi a melhor Feira de Ciências da nossa vida. A pesquisa era empolgante e o melhor era poder compartilhar esse conhecimento com nossos colegas e toda escola. Minhas colegas não se envergonharam, já demonstravam serem boas profissionais desde cedo. Os professores ficaram encantados, afinal, existem questões morais e religiosas que os impedem de falar sobre sexo até hoje com seus alunos.
Nosso grupo ganhou primeiro lugar na Feira de Ciências de 1989 e 1990. Sexo é um assunto que dá ibope, e eu queria a fama, o sucesso. Fomos até em Viçosa, apresentar nosso trabalho. Lá aconteceu um fato interessante: um gatinho universitário veio me perguntar o que era sexo oral. E eu fazendo cara de inteligente, mas sem experiência de vida nenhuma. No meu livro não tinha nada falando sobre isso. Minha explicação foi tecnicamente ao pé da letra. Respondi:
-Quando o parceiro excita sua parceira ou vice versa com palavras sensuais.
Todos riram de mim, fiquei sem saber. Minha colega se esquivou, só faltou entrar debaixo da mesa. O gatinho percebeu que ficamos mortas de vergonha e saiu rindo.
O livro da Marta Suplicy falava de transformações no corpo, espinhas, crescimento dos seios, polução noturna, e terminava com a relação sexual. Esse foi o primeiro ano de trabalho, eu era tão novinha que foi difícil comprar uma camisinha na farmácia. Durante a apresentação eu mostrava a camisinha e também como colocar no pênis. Não tive como disfarçar as mãos trêmulas. Os meninos amavam essa parte. No ano seguinte falamos da gravidez ao parto, os nove meses de gestação e o crescimento do bebê. Mas, não falamos sobre posições sexuais, isso era mais para os experientes. Lembrando que na época não existia internet, as pesquisas eram feitas na biblioteca.
Sexo e adolescência tem tudo haver. Assunto que deveria ser discutido todos os dias, sem preconceito.
Sexo é ciência!
 
 
 
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Pegação no cinema

 
Sempre gostei de cinema. Minhas agendas são recheadas de títulos de filmes.
Em 1989 assisti E.T. o extraterrestre e tive soluços de tanto chorar, no cinema e minha mãe morreu de vergonha. Salsa, um filme quente, por causa do protagonista, Robby Rosa, ex integrante do Menudo. Blade Runner, Caçador e Andróide, ícone da ficção científica e considerado filme “cult” até hoje. Quando a turma sai de férias, A Hora do Espanto (melhor filme de vampiro de todos os tempos) com trilha sonora que me deixou apaixonada com o vampiro e sua coreografia sensual. Daryl, O garoto do futuro, Top Gun, Ases Indomáveis, com o gatíssimo e famosíssimo Tom Cruise.
Em 1990 eu assisti: Namorada de aluguel, Karatê Kid, Querida Encolhi as crianças, A noite das brincadeiras mortais, A Hora do Pesadelo, Luz da Fama, Porcky´s, 3 solteirões e 1 bebê, Poltergeist, Sociedade dos Poetas Mortos, Pecado de Guerra, Nascido 7 de junho, Batman, Uma linda mulher, Uma escola atrapalhada, Uma dupla quase perfeita, Drácula, Pacto de Sangue.
Quase todo final de semana a gente ia ao cinema e nos dias de semana eu pegava filmes na locadora.
No cinema eu não comia pipoca por causa do aparelho fixo nos dentes. E se alguém visse um pedaço de pipoca preso ali? Um mico enorme! E se rolasse uma paquera? Beijo com pipoca não dá.
Foi em 1990, depois de assistir Karatê Kid 3 e ir com as amigas para o barzinho mais movimentado da cidade, que eu fiquei com meu segundo carinha.
A grande preocupação é se o garoto usava aparelho. Afinal, existia o medo dos dois aparelhos agarrarem, engancharem, e a gente ter que parar no dentista para desgarrar as duas bocas beijantes.
Ainda bem que o gatinho não tinha aparelho, então o beijo estava liberado. Quanto mais demorado melhor. Quando a gente é jovem a gente beija muito. Eu e minhas amigas falávamos quantos minutos o beijo tinha durado, e isso era como se fosse uma competição. Durante esse longo beijo de olhos fechados o menino tentava passar a mão em locais proibidos. Eles tentavam apalpar as pernas e os peitos, mas com apenas 14 anos eu achava aquilo um absurdo!
As salas de cinema eram um bom esconderijo para a “pegação”. Por isso, muitas vezes tinha que rever o filme em casa depois, pois eu nem olhava para a tela.
Como era bom beijar, só beijar!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Meu primeiro beijo

O primeiro beijo

O primeiro beijo aconteceu dia 6 de janeiro  de 1989, eu tinha 13 anos e 6 meses e entrara na sétima série.
Estava na casa da minha avó com uma amiga de Belo Horizonte. Ela estava armando tudo para rolar meu primeiro beijo. Nessas horas o que mais faz falta é uma amiga mais “saidinha”.
Estava com medo, minha barriga doía, meu estômago embrulhava, afinal, meu pretendente me esperava no clube, que ficava bem próximo de onde estávamos. Minha amiga me encorajava e me empurrava para ir junto com ela. Eu falei que estava com cólica, mas ela nem ligou. “Vamos, agora é hora de você dar seu primeiro beijo.”
Na minha agenda não tem descrições de tudo o que aconteceu. Eu não escrevia porque tinha vergonha de alguém pegar e ler. Mas, uma coisa eu escrevi: “Não conseguia parar de tremer. Smack.” E desenhei um beijo.
O garoto tinha acabado de se mudar para a cidade, ele morava em Vitória e tinha apelido de Surfista. Quando chegamos ao clube ele veio conversar, depois segurou minha mão (quase morri de vergonha) e me levou para uma sala de sinuca.
Ele se aproximou do meu corpo e lascou um beijo na minha boca. Eu fiquei tensa, fechei os olhos e pensei numa cena de beijo de novela. Escolhi o Fábio Júnior para ser meu galã e me deixei levar. De repente, o garoto enfiou a língua na minha boca cheia de dentes e aparelho. Ai, que nojento! Onde está a câmera lenta e a trilha sonora das novelas? O beijo não foi romântico, foi realista. Eu tentei retribuir aquela língua, mas não consegui, ela não conseguia se mexer. Cada vez que me lembrava do aparelho minhas mãos suavam mais.
Aquilo não durou muito tempo. Falei que já era hora de voltar e saí correndo pra casa da minha avó. Depois minha amiga foi me procurar e ficou rindo da minha cara. Não quis compartilhar nem com minha avó e nem com minha mãe. Eu pensei que elas não fossem gostar porque não era namorado, era apenas um garoto que fez um favor de me dar um beijo de língua para que eu não fosse mais boca virgem. Eu só queria aprender a beijar.
Neste dia escrevi na minha agenda um texto copiado à exaustão em todas as agendas da época. Isso já era compartilhar, só não existia internet e nem “facebook”.
“Beijo é a mistura de línguas dançando rock em um festival de cuspe.”
Depois eu mesma escrevi: ECO!



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Quem sou eu


Eu me chamo Karina, tenho 14 anos, mas já me considero maior de idade. Moro em Itabira, uma cidadezinha de interior, por sinal é um “buraco”, mas que possuía um grande pico que se chama Cauê. De lá sai muito minério e meu irmão fica todo brilhando quando brinca pelas ruas de Itabira. Min ha mãe briga com ele e diz que é pra seguir o exemplo do irmão mais velho que é quieto e sossegado. Ainda bem que só tenho 2 irmãos pois às vezes eles torram meu saco.
Adoro quando me deixam sozinha em casa e posso me deliciar na cozinha preparando eu mesma os salgados e guloseimas, ao som de um bom disco, no máximo volume.

Quando fico triste procuro minhas amigas para desabafar. Às vezes é bom chorar, porque são nessas horas que as verdadeiras amizades aparecem. Elas ficam me consolando e eu me sinto bem melhor. Nós conversamos sobre o problema e analisamos todas as situações. Por que brigaram? Ela é muito orgulhosa! Quem está com a razão? Será que ele volta?

A casa onde moro é "super" gostosa, mas preferiria que ela fosse de estilo colonial e se localizasse no mesmo lugar que a casa da minha avó, que é perto de tudo: de lanchonetes, do Atlético, do lugar que minha mãe trabalha que é na Caixa Econômica Federal e do cinema. Meu pai também trabalha, ele é comerciante e sua loja é quase viva e perfeita. Pois está seguindo de pai para filho e tem uma história pra contar na vida de todos. É por isso que eu adoro conversar com os meus pais, eles sempre têm uma história interessante e sempre nos momentos certos.

Acho o estudo interessante, ele faz parte da nossa vida. A escola onde eu estudo é bem espaçosa, mas a sala onde estudo não é não!

Sempre que passo por dificuldades na vida, escola, saúde ou por qualquer outro motivo, vou à igreja e peço a Deus que me ajude. Para mim Deus é o pai de todos os pais, é o céu, é o mar, ele faz parte de tudo e de todos. 

Sou feliz, apesar de tudo, sou feliz. Gostaria de ter muitos amigos e tenho. Gostaria de ter bons pais e os tenho. Uma família que me amasse, e tenho... Por isso, sou feliz.

Quem dera se todos pudessem se sentir felizes como eu. Quem dera!

(esse texto foi escrito quando eu realmente tinha 14 anos. Transcrevi agora sem mudar nenhuma palavra)

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Amigas e primas




Sou quem sou por causa da minha família.
Sempre me considerei uma pessoa feliz por todas as coisas boas que encontrei dentro de casa.
Família grande e unida é sinal de muitos primos. Tive a felicidade de ter vários com idades próximas e gostos parecidos. Por isso, eu e meus irmãos, nas férias, podíamos encontrar e passar temporadas uns nas casas dos outros.
Os primos ajudam bem nas primeiras saídas. Quando eu tinha 13 anos minha mãe só deixava sair à noite para bares com meu irmão mais velho ou com meus primos. Ou também, quando pegavam confiança nas minhas amigas e conheciam os pais dela. Assim, deixavam que elas dormissem na minha casa e vice versa. De qualquer forma eu tinha horário marcado para voltar, que era às dez da noite. Se fosse festa de 15 anos ou baile de réveillon e carnaval o horário era duas da madrugava.
Eu tinha primas e primos legais, por parte de mãe e por parte de pai. Mas, é claro que preferimos conviver com nosso mesmo sexo quando crianças.
Quando éramos crianças eu e minhas primas assistíamos ao programa infantil matinal de TV, Balão Mágico. As músicas do grupo são ótimas e por isso eu escuto até hoje. O programa era unanimidade entre crianças e jovens, até os adultos gostavam. Tinha música, teatro, convidados especiais e desenhos animado. Um momento “revival” do Balão Mágico sempre tem por aí, nas festas dos anos 80. Depois de crescer um pouquinho e nos tornarmos pré-adolescentes, ficamos enlouquecidas por um grupo de meninos bonitos de Porto Rico. Dançávamos e cantávamos juntas as músicas do grupo “Menudo” o dia inteiro. Colecionava tudo deles e quando eles vieram ao Brasil, nós nos aventuramos a ir num “big” show no maior estádio de Minas Gerais.
Eu e minhas primas criamos músicas juntas. Até hoje curtimos muito nossas canções com ritmos variados e letras engraçadas. Agora estamos repassando as músicas para nossos filhos, que vibram com a coreografia ensaiada.
Minhas primas eram minhas cúmplices e confidentes. Com apenas 13 anos já sentíamos que nossa amizade perduraria para sempre. 
Elas sabem de tudo que passou pelo meu coração e eu também sei das primeiras emoções da vida delas. Por isso, a cada reencontro, ficamos nos lembrando de cada momento vivido. É claro que damos boas gargalhadas falando sobre nossas peripécias.

Show de cartas


 

Eu gosto de cinema e música e também de programas de televisão.

Quando criança era o Programa Balão Mágico, depois veio o da Xuxa, da Mara Maravilha e da Angélica.

Uma das partes mais legais desses programas infantis era o sorteio de cartas. Era muita carta que essas apresentadoras recebiam. O correio deve ter ficado rico... A Xuxa sentava em cima de um monte de cartas e a montanha crescia a cada semana. As pessoas escreviam pedindo brinquedos e elogiando a apresentadora sempre linda, jovem e magra.

Na hora do sorteio a diva dos baixinhos jogava várias cartas para cima criando uma bonita chuva de cartas. Ficávamos na expectativa de vermos pela TV nossa cartinha voando pelos ares indo paras nas mãos da moça bonita e gostosa (com uma saia minúscula).  Para fazer nossa carta se destacar colocava envelopes coloridos e adesivos brilhantes. Já fiz de tudo, mas nunca fui sorteada.

A maior montanha de cartas que já vi na minha vida foi a do programa Viva a Noite, do Gugu Liberato, e o quadro era Sonho Maluco. Acho que era 1986, teve um sorteio para conhecer os garotos do grupo Menudo. O apresentador escalava a montanha com microfone na mão.  Subiram mais umas cinco ajudantes para jogar as cartas para cima.

Em 1990 o programa Sonho Maluco repetiu a proeza da montanha de cartas. Fãs desesperadas como eu queriam conhecer os integrantes do grupo New Kids On The Block, que entrou no vácuo do Menudo, depois que eles já estavam em baixa repercussão. Saíram os porta-riquenhos e entraram os americanos. O dia do sorteio coincidiu com o aniversário de 15 anos de uma amiga, no sábado exatamente à meia noite. A aniversariante dançava valsa quando eu saí de fininho procurando uma televisão. Para minha infelicidade a única televisão da casa ficava na sala de visitas e tinham várias outras pessoas lá. Possivelmente eu vi minha carta voar pelos ares. Era um envelope pardo bem grande, escrito com letras azuis gigantes. Comecei a tremer e a chorar com a visível chance de ser sorteada. No final, o apresentador pegou outra carta. Eu descontrolei. Chorei de soluçar e minhas amigas vieram ver o que estava acontecendo. A essa altura as pessoas já estava rindo de mim, daquela atitude de fã histérica. E exatamente por isso eu chorava cada vez mais, de vergonha e decepção.

Enfim, divaguei tanto sobre os programas e seus sorteios para dizer que sempre foi meu sonho maluco estar ali, sentada na montanha de cartas e jogando todas pra cima. Imagino que deva ser uma sensação deliciosa.

Mas, para quê ficar só na imaginação? Mais que depressa criei uma brincadeira super legal: o Show de cartas.

Eu e minhas primas providenciamos papel, lápis e canetinhas e começamos a escrever dezenas de cartas. Éramos bastante criativas, pois a cada carta assumíamos uma nova identidade e fazia pedidos diferentes.

A apresentadora (no caso eu ou uma prima) comentava a carta com microfone na mão e olhando para uma filmadora imaginária. Obviamente nosso programa seria como o da Tv e falávamos com o expectador. Tipo assim:

Apresentadora lendo a carta: “Eu me chamo Rafael e moro em São Paulo. Gosto muito de você e queria ganhar uma bicicleta.”

Apresentadora olha para câmera e fala: “Oi Rafa, tudo bem? Um beijão para todos de São Paulo. Vamos mandar sua bicicleta para o endereço que está no remetente. Um super beijo pra você sua família!”

Sentíamos o poder de ser uma artista da Tv, e também o sabor do sucesso. A cada férias, o bolo de cartas aumentava.

Todas as primas adoravam essa brincadeira. Era mesmo delicioso jogar todas as cartas para cima, levantar as mãos, fechar os olhos e pegar apenas uma.

Oh, que surpresa! Não nos fazíamos de rogadas, mesmo nós mesmas tendo escritos as cartas, a surpresa era certa.

Uma coisa que estou pensando aqui. Esse negócio de entregar presentes nas casas das pessoas, isso existiu mesmo ou apenas no meu show de cartas?

Sinto muito pelas novas crianças que não irão presenciar o prazer de abrir uma carta, muito menos de estar numa montanha delas. O show de cartas era sensacional, inesquecível.


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Minha primeira agenda




Minha primeira agenda eu devo ter comprado em Belo Horizonte. Ela é amarela, de um material tipo plástico, bem moderna e diferente. O mais importante é que ela é de uma marca importante para a época. Minha agenda do ano de 1989 é “Alternativa”. Fez sucesso na minha cidade porque as marcas de sucesso não chegavam com facilidade. Lá havia apenas umas duas lojas que vendiam coisas de marca famosa. Todos queriam ter calças Jeans da Vide Bula, Zoomp e Fórum. Tinha muitas outras coisas, blusas, saias e até mochilas da “Company”, sucesso absoluto nas escolas.  Vejo dessas mochilas dos anos 90 até hoje desfilando por aí. Usei a minha mochila por uns dez anos, depois passei pra minha mãe doar para os pobres.

A agenda de 1989 é de espiral e isso fez com que soltasse algumas páginas. Sempre fui caprichosa com cadernos e diários por isso acabei não gostando dessa opção espiral com apenas 2 pontos de furo no papel.

Nessa primeira agenda pouca colagem de revista e pouco clips com cartas, bilhetes, ou lembranças como papel de bala, de chocolate. Ficou uma agenda fina, mas com textos interessantes. Tem muita lembrança boa guardada ali. Tem muito adesivo do “Garfield”, que comprava com minhas primas da capital no BH Shopping.

Minhas agendas sempre fizeram muito sucesso entre amigas. Todos queriam ver, a gente tinha mania de sair pra passear com ela. Acho que inconscientemente querendo que todos vissem mesmo. Alguns meninos queriam ler, quando eles conseguiam pegar, depois de um charminho que a gente fazia, eles escreviam uma bobeira, ou estragavam alguma coisa. Comecei a escrever o nome dos gatinhos que estava interessada em códigos. Alguns eu consigo me lembrar, mas outros foram totalmente esquecidos. O que escrevi não esquecerei jamais, mas o que não foi escrito nunca será lembrado. Por isso, minhas agendas são meu maior tesouro. Quando conto uma história antiga para as amigas elas falam assim: “Como você pode se lembrar de tudo isso?” Eu me recordo porque sempre que posso releio minhas aventuras. Ficava pensando que um dia aquilo poderia se transformar em alguma coisa, um livro ou um filme. Material para novelas, enfim, eu as guardei com a esperança de um dia me tornar escritora, cineasta ou novelista.

Que bom que tenho tudo isso escrito.

Sinto que posso fazer outras pessoas viajarem no tempo.

O ano de 1989 até hoje eu tenho tudo escrito.

Mas, aqui eu pretendo publicar minhas peripécias estudantis.

Criei o blog “Confissões de uma ex adolescente”, para minha sobrinha já poder aproveitar das minhas experiências. Lendo e avaliando os acontecimentos ela poderá se guiar melhor. Pode se espelhar em exemplos e pode não repetir os mesmos erros.

Também quero que minhas verdadeiras amigas leiam e digam se estou no caminho certo.

O mais importante é se divertir com a leitura, rir e chorar, se emocionar!










terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O grande fora





Fiquei por muito tempo tentando explicar para meu príncipe loiro o que aconteceu. Que tinham planejado uma enrascada pra mim, tudo para nos separar. Eu realmente não tinha ficado com o outro carinha. Mas, cidade do interior e a mente pequena dos adolescentes não contribuíram para minha sentença final. Ele chegou até a ficar comigo algumas vezes, mas escondido. Deu pra perceber que ele gostava de mim, ele não resistia, mas a fofoca da sociedade falava mais alto. O que os outros poderiam pensar dele se o visse comigo, que ele era um corno manso.
Nosso beijo era perfeito. Delicioso com gosto de bala de cereja. Lembro-me do cheiro do perfume dele até hoje. Era pra ter sido um namoro gostoso, com química e muitos apertos por aí. Mas, um invejoso veio nos detonar e estragou nossos sonhos.
Depois de tentar convencê-lo a acreditar em mim, e por vezes ele tentou, fui golpeada por outra facada da vida. Tudo tem troco. Aprendi sobre essa máxima a duras penas.
Meu príncipe loiro ficou com outra. Ele precisava dar o troco que a sociedade cobra. Apesar de eu nem ter traído, merecia o troco de um chifre trocado, que faz doer menos.
Meu príncipe loiro, mesmo ainda gostando de mim, fez o que todos queriam. Ficou com uma menina na frente de todos, destruíndo meus sonhos de reconciliação.
Nunca me esquecerei desse dia, era um dia de junho, estava tendo futebol no clube da cidade e chovia muito. Estava cheio de gente e eu o chamei pra conversar ali mesmo. Depois disso percebi que foi um erro, porque ali não era lugar e nem era momento. Perguntei de forma afobada:
“É verdade que você ficou com a fulana?”
Ele respondeu que sim. Nessa hora comecei a tremer e percebi que não deveria estar conversando na frente de todos. Já comecei a querer chorar e gritar. Eu fiquei brava e ela primeira vez demonstrei que sou ciumenta e possessiva. Falei com aquele tom de voz de mulher discutindo relação com o marido:
-“Vai ter que decidir! Com qual das duas vai ficar? Se está pensando que vai ficar com as duas está muito enganado. “
Ai, meu Deus. Que burrice! Eu fiz tudo errado. Pressionei demais e escutei o que não queria e nem merecia. Ele respondeu:
-“Então eu vou ficar com a fulana.”
Claro que ele queria se vingar. Aquilo era um troco. Mas, eu nem fiquei com outro, foi tudo armação de meninos bobos da cidade que disputam poder entre si. Quem tem o carro melhor, quem pega mais menina, quem briga melhor, quem dá o melhor “cavalo de pau”.
Ele deve ter sofrido quando todos riam dele porque eu entrei no fusca branco enquanto só deveria andar na Brasília azul. Eu só entrei no carro, dei uma volta a pedido do suposto amigo porque ele me alegou que queria pedir conselhos e depois a cidade toda estava falando de mim. Por isso eu aviso minha sobrinha Júlia para não cair no papinho desses meninos bobos de 14, 15, 16 anos. Idade não importa, importa a cabeça desses rapazes, que ao meu ver estão cada dia pior. Mas, eu não beijei o cara, ele quis me beijar e eu não deixei.
Naquele momento que conversava com meu príncipe loiro eu pensava que o amor venceria, mas a sociedade da fofoca venceu. Todas as pessoas que estava naquele clube para assistir ao futebol ficaram invisíveis pra mim. O barulho ensurdecedor da partida de futebol e da torcida se calou. Eu estava chorando devagar e precisava sair correndo dali pra começar a abrir o berreiro entalado na garganta.
Saí sem pensar na chuvarada lá fora. Deixei o ginásio com as pernas bambas. Ainda bem que não caí pelas escadarias do clube, senão seria mil vezes pior. Minhas lágrimas se misturavam com a chuva.
Eu gostei daquela torrente de emoções. Parecia um clipe de música lenta e eu caprichei no roteiro.
Corri pelas ruas chorando e me escondia das pessoas.
Por que isso tinha que acontecer comigo? O que seria de mim agora, naquela cidade onde pessoas cruéis só querem me detonar? Será que era inveja?
Eu nasci acreditando que todos têm bom coração. Por isso sofro amargamente a cada decepção. A gente não nasce sabendo. Penso que é importante compartilhar essas experiências com meninas de coração puro como eu.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Descobrindo as verdadeiras amizades

 

 

Primeiro o grande fora e depois a descoberta das verdadeiras amigas

Eu nasci princesa e virei gata borralheira.

Depois dessa experiência trágica na minha vida, onde a fofoca detonou minha índole e eu passei a ser a garota de quatorze anos que traiu o namorado em menos de dois meses de namoro. A garota “traíra”, esse tipo ninguém quer namorar. Após quebrar o meu sonho de cristal eu tive que me reconstruir. Aprendi a me reerguer, mudei meu perfil. Aprendi a jogar.


Aos quatorze anos eu ainda era boa aluna. Mesmo saindo todos os dias com amigas eu tirava notas boas e era esperta. O que fazer com essa galera que eu pensava ser de amigos e amigas?


Eu deveria parar de sair com eles? Dentro do meu coração partido eu sofria com a falsidade de todos que fingiam amizade e riam pelas minhas costas.

Mas, eu não estava tão sozinha. Eu tinha amigas do grupo, do balett e do inglês. Meninas que conheci em tenra idade, mas que não faziam questão de sair todos os dias. Elas não ligavam pra esse negócio de estar na galera. Elas nem namoravam ainda! Da turma de meninas amigas eu fui a mais precoce. Eu me distanciei delas por causa disso, entrei nessa turma burguesinha que ia todos os dias “paquerar” pela rua e ver demonstrações de “quem é melhor que quem”. Quem é filho do dono disso ou daquilo, quem usa roupas de marca. A camisa tinha que ser Redley, Caridon ou Rato de Praia. A calça jeans tinha que ser Zoomp, Fórum ou Vide Bula. As amigas de infância não tinham nada disso, eram mais tímidas, estudiosas e gostavam de ficar em casa. No momento do sofrimento foram elas que me apoiaram.

Relembrávamos nossos trabalhos em grupo, nossas peripécias estudantis, passávamos horas ao telefone. Meus programas com elas eram assistir filmes, comer pipoca e brigadeiros. Estudar e fazer trabalhos da escola. A gente falava de besteiras e falávamos também dessa galera burguesinha que se fingiam de santas, mas eram os demônios em pessoa. Eu era uma ovelha em pele de lobo eles eram os lobos com peles de ovelhas. Eu nem tinha perdido minha virgindade, mas já era mal falada. Eu odiava morar naquela cidade do interior com pessoas fofoqueiras. Eu jurei para minhas cinco amigas de infância que não perderia minha virgindade ali naquele buraco. Não daria o prazer real para nenhum daqueles garotos moradores daquela cidade. Podem até falar de mim, mas estão mentindo e no fundo sabem disso.


Minhas amigas de infância não ficaram chateadas quando me distanciei para andar com uma nova turma. Na hora que fui despedaçada, elas me ajudaram a juntar os caquinhos. Elas me entenderam, escutaram minha história, se revoltaram comigo e sofreram juntas também.

Eu descobri a verdadeira amizade!

Essas amigas sempre foram diferentes umas das outras. Mesmo com tantas diferenças continuamos nossa linda amizade até hoje. São 25 anos de amizade.

Meu Deus, obrigada por esses anjos presentes na minha vida. A cada decepção estavam comigo e a cada vitória também.
Foi com a amizade verdadeira dessas meninas que continuei acreditando na felicidade e nas pessoas. Essas queridas amigas me aguentaram demais. Meus espírito rebelde já me fez colocá-las em enrascadas, porque elas sempre toparam meus planos mirabolantes. Hoje rimos muito desses casos.

Amigas, agora eu sei que fui salva por vocês.
Deus colocou vocês na minha vida, e mesmo sem combinar fomos todas parar no mesmo bairro para estudar em Belo Horizonte. E viramos as “Santas Efigênias”, agora somos as “Santas”. Vocês foram santas ao me mostrarem o caminho da felicidade.
Enfiamos a cara nos estudos, nos afogamos em sorvetes, nos empaturramos de brigadeiro, dançamos “Jen”, nos apaixonamos pelo “New Kids on the Block” e ganhamos duas medalhas na Feira de Ciências de nossa escola. Saímos inteligentes e vitoriosas. Sempre românticas.

Ás vezes você pensa que algo te destruiu. Mas, você sempre pode mudar sua história pra melhor.



As fugas


Realmente existem bruxas nos contos de fada, no meu caso, foi um bruxo. Um menino que ficou tão puto por eu não querer “ficar” com ele que bolou um plano maquiavélico para estragar meus sonhos com o loirinho da Brasília azul. Não aceite maças de pessoas que você não conhece bem. Desconfie sempre. Se uma situação está muito fácil, se o menino é muito lindo e famoso e quer você, pense bem, antes de se entregar.
A adolescência é a fase das maldades. A fofoca é cruel. Cuidado!

Fiquei com fama de menina fácil! Quem vai querer namorar uma garota que chifrou seu namorado depois de 2 meses de relacionamento? O meu príncipe loiro gostava de mim verdadeiramente, mas ele não podia voltar pra mim, senão seria corno manso. Tanto que algumas vezes voltou a ficar comigo, mas tinha que ser escondido. E eu nem "fiquei" de verdade com o menino do fusca branco. Todos começaram a falar mal de mim.

Eu passei a ter ódio daquela turma da minha cidade! Acabei fugindo. E várias vezes! Para outra turma e outra cidade. Lá eu era protegida pelos meus primos. Nova Era na minha vida! Uma nova turma.
Fugi várias vezes, em uma dessas fugas coloquei uma grande amiga e a mãe dela numa enrascada com minha mãe ligando à noite e perguntando por mim. Eu disse à minha mãe que dormiria lá.
Meu primo de 15 anos me buscava dirigindo um carro velho e numa estrada de terra. Me lembro que chovia muito e o carro deslizava muito. Eles eram meus amigos, tinha o Kiko e o Bernardo. Me ensinaram a fumar e beber, mas eram carinhosos. Muito diferente dos meninos de Itabira, que não queriam saber de amizade com meninas.
Meus tios de Nova Era foram me buscar na fazenda onde estava tendo uma festinha. Eu estava fabricando "loló" pra ficar doidona e joguei tudo pra trás quando escutei a voz de Madalena. Mas, os meninos eram tão legais que me esconderam até quando puderam. Só me entreguei quando Madalena falou que minha mãe ia colocar a polícia atrás de mim.
(Loló é a mistura do álcool absoluto e do cloroforme e ao cheirar você começa a escutar um sino tocando e fica meio aérea)  

Teve até uma luta entre os rapazes de Itabira contra os de Nova Era.

Falando assim, parecia que eu era uma mercadoria. Mas, esses rapazes agiam dessa forma com as meninas da cidade. Meninos bobos!

No dia que desfilei com três gatinhos da cidade vizinha, houve aí uma revolução. Eles piraram de raiva. No dia seguinte a gang do mal chegou na porta da casa dos meus avós para tirar satisfação com meus primos. Eles chegaram com seus carros e cassetetes de policiais. Meus primos fugiram para dentro de casa com medo da luta. Mas, não adiantou. Eles invadiram a casa, subindo as escadas e correndo pelo corredor atrás dos seus concorrentes.

Minha mãe, que estava lá, gritou que ligaria para a polícia! A gang do mal só foi embora depois de quebrar dois dedos de um desses pobres meninos. Foram passear na minha cidade e apanharam demais!
Cidade de interior é uma merda! Minha vontade concreta naquele momento era ir para a capital! Eu faria de tudo para que isso acontecesse.

 

Trauma aos 14 anos


APRENDENDO A VIVER


Alguém estragou meus sonhos aos 14 anos inventando que eu tinha chifrado meu primeiro namorado (ou aquele que seria) e ganhei a fama de menina fácil.

Tive uma festa de 15 anos de princesa. Este garoto foi o primeiro a querer dançar a valsa do “príncipe” comigo após o pai, os avós e os tios. Eu era apaixonada com esse garoto, o menino da Brasília azul, como meu bairro o conhecia bem. E tínhamos tudo para viver o primeiro amor.

 Mas, apareceu um cara querendo ficar comigo e eu disse não. Ele me ligou em casa e perguntou se poderia passar lá pra conversar comigo. Na minha casa, à noite, com meus pais por perto? Nem pensar! “Então, entre no meu carro e daremos uma volta.” Ele disse rapidamente, da janela do fusca branco. Eu respondi com cara de professora: “Só pra conversar, viu?” E o meu erro foi crer que ele estava dizendo a verdade. Como fui ingênua!

Querida sobrinha, Júlia, por favor, não se engane. Rapazes não se abrem com garotas. Tudo era um plano estrategicamente elaborado para me detonar com o menino dos meus sonhos.

Na minha cidade era costume os meninos dirigirem antes dos 18 anos. Naquela época muita coisa era permitida no trânsito sem fiscalização adequada. Tinha até uma praça onde os garotos esnobavam seus carros fazendo manobras radicais. Normalmente os carros estavam cheios de gente e cada um tentava o melhor “cavalo de pau”. O pior é que a galera na praça aplaudia a farra e aí o negócio ficava bom!

Esse rapaz do fusca branco apostava com o da Brasília azul quem ficaria comigo. Eles armaram pra cima de mim. Eu caí como uma patinha. Por que fui entrar naquele carro?  

No dia seguinte uma amiga me ligou e disse que meu príncipe queria encontrar comigo. Nessa hora já gelei! Eu sabia que a fofoca tinha rolado solta. Ele querendo falar comigo tão cedo! Ele fez cara de triste e já foi falando que todo mundo tinha me visto dentro do fusca branco. “Você me chifrou!” Ele afirmou e me condenou de cara! “Mas eu não beijei!” Eu quis gritar e chorar. Acho mesmo que fiz isto tudo com todo exagero. “Todos viram você passeando no fusca lá perto da pracinha.” Ele se justificou e não me deu mole.

Meu sonho de princesa a partir desse momento começou a desmoronar. Meu mundo cor-de-rosa ficou preto num piscar de olhos. Eu queria ser princesa! Não me tirem desse mundo!

Mas foi assim, meu destino estava traçado, eu não seria princesa!

Realmente existem bruxas nos contos de fada, no meu caso, foi um bruxo. Um menino que ficou tão puto por eu não querer “ficar” com ele que bolou um plano maquiavélico para estragar meus sonhos com o loirinho da Brasília azul.

Fiquei com fama de menina fácil! Quem vai querer namorar uma garota que chifrou seu namorado depois de 2 meses de relacionamento?

Estou fora desse povo de mente pequena. Pessoas cruéis! Uns sacaneando os outros, o tempo todo. Fofoca no café da manhã, almoço e jantar.

Depois disso jurei pra mim mesma não perder a virgindade naquele local.

Certo é que as pessoas de lá falam tanto que a realidade se confunde com a ficção. Então, pra eles eu já aprontei todas e “dei” pra todo mundo.  

Fica a dica para você, Julia, não repassar informações que não sabe se são verdadeiras. Essas atitudes maldosas podem acabar com a juventude feliz e saudável de jovens como eu.

Por isso mudei meu caminho. Fez parte do meu crescimento e do meu destino. Decidir ir pra capital e não voltar. Decidi estudar acima de tudo. Mas, o acontecido baixou minha auto estima e me fez procurar outras turmas. Quero que minha história sirva de exemplo para as meninas dessa idade.

Não caia em papo furado de rapazes. Não fofoque. Peça conselhos para alguém mais velho que você, de preferência sua mãe. E não para as amigas que sabem tão pouco quanto você!

Sempre terão invejosos querendo acabar com você!

Um dia eles podem até conseguir. Perder uma batalha não significa perder a guerra. Portanto, vamos sempre lutar, Meninas! Mãos a obra! Construir uma nova vida, nova fase, sempre com pensamento positivo! Nunca vamos deixar alguém estragar nossos sonhos.

Sonhar é bom e nunca é tarde para isso!