sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Meu primeiro beijo

O primeiro beijo

O primeiro beijo aconteceu dia 6 de janeiro  de 1989, eu tinha 13 anos e 6 meses e entrara na sétima série.
Estava na casa da minha avó com uma amiga de Belo Horizonte. Ela estava armando tudo para rolar meu primeiro beijo. Nessas horas o que mais faz falta é uma amiga mais “saidinha”.
Estava com medo, minha barriga doía, meu estômago embrulhava, afinal, meu pretendente me esperava no clube, que ficava bem próximo de onde estávamos. Minha amiga me encorajava e me empurrava para ir junto com ela. Eu falei que estava com cólica, mas ela nem ligou. “Vamos, agora é hora de você dar seu primeiro beijo.”
Na minha agenda não tem descrições de tudo o que aconteceu. Eu não escrevia porque tinha vergonha de alguém pegar e ler. Mas, uma coisa eu escrevi: “Não conseguia parar de tremer. Smack.” E desenhei um beijo.
O garoto tinha acabado de se mudar para a cidade, ele morava em Vitória e tinha apelido de Surfista. Quando chegamos ao clube ele veio conversar, depois segurou minha mão (quase morri de vergonha) e me levou para uma sala de sinuca.
Ele se aproximou do meu corpo e lascou um beijo na minha boca. Eu fiquei tensa, fechei os olhos e pensei numa cena de beijo de novela. Escolhi o Fábio Júnior para ser meu galã e me deixei levar. De repente, o garoto enfiou a língua na minha boca cheia de dentes e aparelho. Ai, que nojento! Onde está a câmera lenta e a trilha sonora das novelas? O beijo não foi romântico, foi realista. Eu tentei retribuir aquela língua, mas não consegui, ela não conseguia se mexer. Cada vez que me lembrava do aparelho minhas mãos suavam mais.
Aquilo não durou muito tempo. Falei que já era hora de voltar e saí correndo pra casa da minha avó. Depois minha amiga foi me procurar e ficou rindo da minha cara. Não quis compartilhar nem com minha avó e nem com minha mãe. Eu pensei que elas não fossem gostar porque não era namorado, era apenas um garoto que fez um favor de me dar um beijo de língua para que eu não fosse mais boca virgem. Eu só queria aprender a beijar.
Neste dia escrevi na minha agenda um texto copiado à exaustão em todas as agendas da época. Isso já era compartilhar, só não existia internet e nem “facebook”.
“Beijo é a mistura de línguas dançando rock em um festival de cuspe.”
Depois eu mesma escrevi: ECO!



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