Eu gosto de cinema
e música e também de programas de televisão.
Quando
criança era o Programa Balão Mágico, depois veio o da Xuxa, da Mara Maravilha e
da Angélica.
Uma das
partes mais legais desses programas infantis era o sorteio de cartas. Era muita
carta que essas apresentadoras recebiam. O correio deve ter ficado rico... A
Xuxa sentava em cima de um monte de cartas e a montanha crescia a cada semana.
As pessoas escreviam pedindo brinquedos e elogiando a apresentadora sempre
linda, jovem e magra.
Na hora do
sorteio a diva dos baixinhos jogava várias cartas para cima criando uma bonita
chuva de cartas. Ficávamos na expectativa de vermos pela TV nossa cartinha
voando pelos ares indo paras nas mãos da moça bonita e gostosa (com uma saia
minúscula). Para fazer nossa carta se
destacar colocava envelopes coloridos e adesivos brilhantes. Já fiz de tudo,
mas nunca fui sorteada.
A maior
montanha de cartas que já vi na minha vida foi a do programa Viva a Noite, do
Gugu Liberato, e o quadro era Sonho Maluco. Acho que era 1986, teve um sorteio
para conhecer os garotos do grupo Menudo. O apresentador escalava a montanha
com microfone na mão. Subiram mais umas
cinco ajudantes para jogar as cartas para cima.
Em 1990 o
programa Sonho Maluco repetiu a proeza da montanha de cartas. Fãs desesperadas
como eu queriam conhecer os integrantes do grupo New Kids On The Block, que
entrou no vácuo do Menudo, depois que eles já estavam em baixa repercussão.
Saíram os porta-riquenhos e entraram os americanos. O dia do sorteio coincidiu
com o aniversário de 15 anos de uma amiga, no sábado exatamente à meia noite. A
aniversariante dançava valsa quando eu saí de fininho procurando uma televisão.
Para minha infelicidade a única televisão da casa ficava na sala de visitas e
tinham várias outras pessoas lá. Possivelmente eu vi minha carta voar pelos
ares. Era um envelope pardo bem grande, escrito com letras azuis gigantes.
Comecei a tremer e a chorar com a visível chance de ser sorteada. No final, o
apresentador pegou outra carta. Eu descontrolei. Chorei de soluçar e minhas
amigas vieram ver o que estava acontecendo. A essa altura as pessoas já estava
rindo de mim, daquela atitude de fã histérica. E exatamente por isso eu chorava
cada vez mais, de vergonha e decepção.
Enfim,
divaguei tanto sobre os programas e seus sorteios para dizer que sempre foi meu
sonho maluco estar ali, sentada na montanha de cartas e jogando todas pra cima.
Imagino que deva ser uma sensação deliciosa.
Mas, para
quê ficar só na imaginação? Mais que depressa criei uma brincadeira super
legal: o Show de cartas.
Eu e minhas
primas providenciamos papel, lápis e canetinhas e começamos a escrever dezenas
de cartas. Éramos bastante criativas, pois a cada carta assumíamos uma nova
identidade e fazia pedidos diferentes.
A
apresentadora (no caso eu ou uma prima) comentava a carta com microfone na mão
e olhando para uma filmadora imaginária. Obviamente nosso programa seria como o
da Tv e falávamos com o expectador. Tipo assim:
Apresentadora
lendo a carta: “Eu me chamo Rafael e moro em São Paulo. Gosto muito de você e
queria ganhar uma bicicleta.”
Apresentadora
olha para câmera e fala: “Oi Rafa, tudo bem? Um beijão para todos de São Paulo.
Vamos mandar sua bicicleta para o endereço que está no remetente. Um super
beijo pra você sua família!”
Sentíamos o
poder de ser uma artista da Tv, e também o sabor do sucesso. A cada férias, o
bolo de cartas aumentava.
Todas as
primas adoravam essa brincadeira. Era mesmo delicioso jogar todas as cartas
para cima, levantar as mãos, fechar os olhos e pegar apenas uma.
Oh, que
surpresa! Não nos fazíamos de rogadas, mesmo nós mesmas tendo escritos as
cartas, a surpresa era certa.
Uma coisa
que estou pensando aqui. Esse negócio de entregar presentes nas casas das
pessoas, isso existiu mesmo ou apenas no meu show de cartas?
Sinto muito
pelas novas crianças que não irão presenciar o prazer de abrir uma carta, muito
menos de estar numa montanha delas. O show de cartas era sensacional,
inesquecível.

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