Eu nasci princesa e virei gata borralheira.
Depois dessa experiência trágica na minha vida, onde a
fofoca detonou minha índole e eu passei a ser a garota de quatorze anos que
traiu o namorado em menos de dois meses de namoro. A garota “traíra”, esse tipo
ninguém quer namorar. Após quebrar o meu sonho de cristal eu tive que me
reconstruir. Aprendi a me reerguer, mudei meu perfil. Aprendi a jogar.
Aos quatorze anos eu ainda era boa aluna. Mesmo saindo todos os dias com amigas eu tirava notas boas e era esperta. O que fazer com essa galera que eu pensava ser de amigos e amigas?
Eu deveria parar de sair com eles? Dentro do meu coração partido eu sofria com a falsidade de todos que fingiam amizade e riam pelas minhas costas.
Mas, eu não estava tão sozinha. Eu tinha amigas do grupo, do
balett e do inglês. Meninas que conheci em tenra idade, mas que não faziam
questão de sair todos os dias. Elas não ligavam pra esse negócio de estar na
galera. Elas nem namoravam ainda! Da turma de meninas amigas eu fui a mais
precoce. Eu me distanciei delas por causa disso, entrei nessa turma burguesinha
que ia todos os dias “paquerar” pela rua e ver demonstrações de “quem é melhor
que quem”. Quem é filho do dono disso ou daquilo, quem usa roupas de marca. A
camisa tinha que ser Redley, Caridon ou Rato de Praia. A calça jeans tinha que
ser Zoomp, Fórum ou Vide Bula. As amigas de infância não tinham nada disso,
eram mais tímidas, estudiosas e gostavam de ficar em casa. No momento do
sofrimento foram elas que me apoiaram.
Relembrávamos nossos trabalhos em grupo, nossas peripécias
estudantis, passávamos horas ao telefone. Meus programas com elas eram assistir
filmes, comer pipoca e brigadeiros. Estudar e fazer trabalhos da escola. A
gente falava de besteiras e falávamos também dessa galera burguesinha que se
fingiam de santas, mas eram os demônios em pessoa. Eu era uma ovelha em pele de
lobo eles eram os lobos com peles de ovelhas. Eu nem tinha perdido minha
virgindade, mas já era mal falada. Eu odiava morar naquela cidade do interior
com pessoas fofoqueiras. Eu jurei para minhas cinco amigas de infância que não
perderia minha virgindade ali naquele buraco. Não daria o prazer real para
nenhum daqueles garotos moradores daquela cidade. Podem até falar de mim, mas
estão mentindo e no fundo sabem disso.

Minhas amigas de infância não ficaram chateadas quando me
distanciei para andar com uma nova turma. Na hora que fui despedaçada, elas me
ajudaram a juntar os caquinhos. Elas me entenderam, escutaram minha história,
se revoltaram comigo e sofreram juntas também.
Eu descobri a verdadeira amizade!
Essas amigas sempre foram diferentes umas das outras. Mesmo
com tantas diferenças continuamos nossa linda amizade até hoje. São 25 anos de
amizade.
Meu Deus, obrigada por esses anjos presentes na minha vida. A cada decepção estavam comigo e a cada vitória também.
Foi com a amizade verdadeira dessas meninas que continuei
acreditando na felicidade e nas pessoas. Essas queridas amigas me aguentaram
demais. Meus espírito rebelde já me fez colocá-las em enrascadas, porque elas
sempre toparam meus planos mirabolantes. Hoje rimos muito desses casos.
Amigas, agora eu sei que fui salva por vocês.
Deus colocou vocês na minha vida, e mesmo sem combinar fomos
todas parar no mesmo bairro para estudar em Belo Horizonte. E viramos as
“Santas Efigênias”, agora somos as “Santas”. Vocês foram santas ao me mostrarem
o caminho da felicidade.
Enfiamos a cara nos estudos, nos afogamos em sorvetes, nos
empaturramos de brigadeiro, dançamos “Jen”, nos apaixonamos pelo “New Kids on
the Block” e ganhamos duas medalhas na Feira de Ciências de nossa escola.
Saímos inteligentes e vitoriosas. Sempre românticas.
Ás vezes você pensa que algo te destruiu. Mas, você sempre
pode mudar sua história pra melhor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário